Incra quer apressar desocupação no MS
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Agência Estado Itaquiraí 
Os sem-terra que ocupam a Fazenda Mestiço, em Itaquiraí (MS) decidiram ontem aceitar a proposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de reabrir as negociações visando a solução do conflito. A decisão foi tomada durante assembléia de coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizada ontem pela manhã. O encontro entre os líderes do acampamento 8 de Março e a superintendência estadual do Incra deve acontecer segunda-feira, na sede do órgão, em Campo Grande. A fazenda está ocupada desde o dia 18 de julho.
Segundo o coordenador estadual do MST e um dos encarregados da organização do acampamento, José Padilha dos Santos, cerca de dez integrantes da liderança deverão participar da reunião às 8h30, com o superintendente estadual do Incra, Renato Osório de Coimbra. Ele informou que em decorrência do reinício das conversações, os coordenadores reunidos ontem, decidiram não realizar novos abates de gado. Na terça-feira, pelo menos 42 rezes foram abatidas a tiros.
Os sem-terra pretendem reivindicar o fornecimento de cestas básicas mensais, a realização de nova vistoria na Fazenda Mestiço - por discordarem do laudo de produtividade expedido pelo orgão quando da primeira avaliação -, desapropriação das fazendas Savana e Indiana, em Jaciporã para o assentamento de parte dos acampados e a desapropriação de um excedente de 5.900 hectares de terras que dizem existir na Fazenda Santo Antônio, outra área que reivindicam em Itaquiraí.
De acordo com Santos, a principal exigência do Incra, de que os sem-terra deixem a Fazenda Mestiço e as margens da BR-163, somente será atendida caso suas exigências sejam aceitas. Apesar disso, ele lembrou que a pauta elaborada pelos acampados poderá ser negociada, desde que o Incra apresente propostas concretas para resolver os problemas de alimentação e assentamento das famílias.
Caso a reunião resulte em acordos, os sem-terra pretendem fixar um prazo, que segundo Santos, não será superior a 20 dias, para que o orgão federal coloque em prática as medidas acertadas. Do contrário prometem retomar o abate do gado da Fazenda Mestiço e não excluem a possibilidade de voltar a saquear carretas de transporte de mantimentos que transitam pela BR-163.


