Porto Alegre, 17 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Rio Grande do Sul pretende desapropriar ou comprar 8,6 mil hectares de terras no Estado, ainda no primeiro trimestre do ano, para assentar 430 famílias, segundo disse hoje o ministro interino de Política Fundiária e Desenvolvimento Agrário, José Abraão, em Porto Alegre. De acordo com Abraão, que fez o anúncio após reunião com a direção da Regional-3 Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na Cúria Metropolitana na capital gaúcha, seis municípios e 13 propriedades sediarão os novos assentamentos.
Os sem-terra receberão lotes em Canguçu - cinco áreas - Cruz Alta, Giruá, Bossoroca, Piratini e Arroio Grande. O superintendente regional do Incra, Eduardo Freire, garantiu que a maior parte das fazendas será obtida por desapropriação. Nenhum dos municípios fica na zona de Bagé, na Campanha, onde os fazendeiros - contrários aos índices definidos de lotação pecuária, que determinam se uma propriedade é ou não produtiva - impediram os técnicos do órgão, durante 1998 e 1999, de fazerem vistorias.
"Vamos começar por onde há maior disponibilidade de terras e não por onde há mais atrito", justificou o ministro interino. Ele, porém, antecipou que no segundo trimestre será implantado outro assentamento em Hulha Negra, município ao lado de Bagé. Mas não esclareceu se a área seria obtida através de desapropriação ou da compra. Abraão quer ampliar a meta de 8,6 mil hectares projetada para os três primeiros meses do ano. "Vamos ver se chegamos aos 10 mil hectares, que permitirão assentar 500 famílias", calculou. Seu objetivo é adquirir ou desapropriar 40 mil hectares até dezembro, o que possibilitaria assentar duas mil famílias.
O ministro interino assinalou que o Incra poderá atuar junto com o governo estadual, que também possui um projeto de reforma agrária. "Na Fazenda Rubira, em Piratini, o Estado comprou 2,5 mil hectares e o Incra outros 2,5 mil", exemplificou. CNBB - Preocupada com o atraso nos projetos de assentamentos no Estado - a meta de 1,5 mil famílias assentadas não foi cumprida em 1999 - a Regional-3 Sul da CNBB aceitou um convite do ministro Raul Jungmann para conversar. O encontro foi marcado mas, como Jungmann não pôde vir, Abraão veio representá-lo. O presidente da Regional-3 Sul, bispo dom José Mário Stroher, salientou que tanto o pequeno agricultor quanto o sem-terra são "questões de importância e de empenho" para a CNBB.
Outro bispo, dom Orlando Dotti, de Vacaria (RS), ex-presidente nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que também esteve na reunião, defendeu que a grande propriedade, mesmo quando produtiva, tem rendimento inferior à pequena. "Qualquer ação em favor da reforma agrária é uma ação a favor do progresso e o desenvolvimento", sublinhou.

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