Incra promete área para assentar 2 mil famílias em SP
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 09 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai entrar com processos para a arrecadação de pelo menos 50 mil hectares de terras públicas na região de Iaras, no centro-oeste do Estado, a 280 quilômetros da capital. O objetivo, segundo revelou o superintendente-adjunto em São Paulo, Moyzés Schenker, é assentar cerca de 2 mil famílias e reduzir a motivação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) para a invasão de fazendas. No último final de semana, 2 mil famílias lideradas pelo MST invadiram uma fazenda produtiva, a Engenho Dágua, em Porto Feliz, região de Sorocaba. Há três meses, os sem-terra ocuparam e depredaram a Fazenda Rio Verde, em Itararé, no sudoeste, também considerada produtiva.
Os planos do Incra paulista foram apresentados durante reunião com lideranças do MST, hoje, na superintendência da Capital. Segundo Schenker, as terras pertencem à União e estão ocupadas por posseiros. O processo de arrecadação será feito através de convênio com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão da Secretaria da Justiça. "Estamos no acerto final desse convênio", disse. Segundo ele, a lei permite que o Incra obtenha a tutela antecipada de 30% das glebas reivindicadas, possibilitando o uso imediato de parte das terras para assentamento. Terão prioridade cerca de 400 famílias do Acampamento "Madre Cristina", em Iaras, e 28 remanescentes de um acampamento em Itapetininga. "Haverá área para resolver outras situações críticas de famílias acampadas em beiras de rodovias", disse.
Segundo ele, o MST concordou em remover para o local famílias de outras regiões do Estado. O coordenador do MST, Delweck Matheus, que participou do encontro, disse que a arrecadação de terras é um processo demorado. "O Incra não tem mostrado agilidade", reclamou. Ele disse não ter obtido solução para as 300 famílias acampadas na Fazenda Rio Verde. Segundo Schenker, não é possível assentar as famílias na região, pois não existem terras aptas a serem desapropriadas. O MST discutirá a possibilidade de transferência das famílias para a região de Iaras. Produtiva - O Incra não vai interferir na questão da Engenho Dágua, de Porto Feliz, segundo Schenker. Ele esteve na área segunda-feira, mas na condição de observador e achou que a propriedade é produtiva. "A fazenda toda está plantada com cana de açúcar". De acordo com ele, a produção abastece uma grande usina que movimenta a economia de pequenas cidades da região. "Se falta cana, a usina pára e afeta um número muito maior de famílias", alertou.
O 40º. Batalhão da Polícia Militar de Votorantim já preparou a operação de despejo, determinada ontem pela juíza substituta de Porto Feliz, Daniela Botoliero Ventrice. O despejo deve acontecer entre amanhã e quinta-feira. O comandante do batalhão, Salvador Mauro Romano, disse que será dada oportunidade para que os sem-terra deixem a área pacificamente. Caso haja resistência ao despejo, ele contará com reforços dos batalhões de Sorocaba e da tropa de choque da capital.


