Luciana Pombo
O Incra do Paraná começa a vistoriar, a partir da semana que vem, mais de 12 mil hectares de terras que podem ser utilizados para fins de reforma agrária no Estado. Segundo o superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira, as terras que tiverem condições para assentamento serão compradas. Somente este ano, o Incra conta com recursos de R$ 49 milhões para a compra de terras no Paraná. Estes recursos já estão disponibilizados e poderão ser utilizados a partir deste mês.
A intenção é assentar entre 3.000 e 3.200 famílias este ano no Estado. ‘‘Estamos fazendo as previsões, sem timidez’’, comentou Vieira. Para o assentamento de uma família, o Incra gasta cerca de R$ 22 mil para a aquisição da terra, além de recursos para o custeio e alimentação.
A prioridade é atender os casos classificados como ‘‘emergenciais’’, como o das 675 famílias desalojadas por decisão judicial pela Polícia Militar. Após assentar os desalojados nos processos de reintegração de posse, o Incra pretende beneficiar as 1.200 famílias que vivem em 12 propriedades rurais do Estado consideradas como produtivas.
A seleção das famílias será feita após um cadastramento, que deverá ocorrer em todo o Paraná. O primeiro município a fazer o cadastramento foi Lindoeste, onde 600 famílias foram registradas e 450 selecionadas para assentamentos emergenciais. O Incra terminou ontem o cadastramento em Reserva do Iguaçu, onde 400 famílias foram relacionadas. Na próxima semana, o município visitado será Lapa. Outros sete municípios também já se inscreveram e deverão ter todas as famílias sem-terra cadastradas nos próximos dias.
Para se classificar como família com perfil para assentamento emergencial, será analisada a capacidade de trabalho. Das cerca de 7 mil famílias sem-terra no Estado, a previsão é de que 3.500 sejam selecionadas para assentamentos emergenciais.
Além dos R$ 49 milhões, o Incra espera ainda R$ 10 milhões que serão repassados para financiamentos por intermédio do Banco da Terra. Uma comissão estadual, composta por representantes do Incra, Ipardes, Secretarias de Planejamento e Agricultura, deverá fazer o estudo dos critérios que serão utilizados para liberação dos recursos.
Para custeio, o governo federal liberou R$ 10 milhões dos R$ 26 milhões solicitados. Ontem, R$ 2,3 milhões foram repassados para 27 dos 170 assentamentos regularizados no Paraná.
O Incra está pedindo ainda ao governo federal a liberação de mais R$ 55 milhões para este ano. Caso fossem liberados os recursos, o Incra conseguiria assentar, em 1999, cinco mil famílias. ‘‘Eu tenho que ter um desafio a ser seguido, não posso ficar a reboque do processo’’, alegou ele.
Atualmente, o Estado tem 120 áreas ocupadas, 65 delas foram consideradas improdutivas durante a vistoria do Incra. Ao todo, são cerca de 50 mil hectares de terras que deverão ser destinados para a reforma agrária.

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