Incra-PR terá dificuldade para cumprir meta de assentamento
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terça-feira, 25 de janeiro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A meta de assentar 3 mil famílias sem terra no Paraná neste ano, estipulada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), corre o risco de não ser cumprida. Isso porque as grandes áreas que estavam com processos de desapropriação ou compra avançados já estão nas mãos do instituto desde o ano passado. Para este ano, as áreas em litígio, e que se encontram em estágio avançado de negociação, são menores. Por esse motivo, o Incra no Estado, deverá assentar no máximo entre 1,5 mil a duas mil famílias.
''A gente sabe que esse ano vai ser mais difícil pelas condições das áreas. Os processos demoram geralmente mais de um ano. E não temos nenhuma área grande com essa situação avançada. Prefiro trabalhar com previsão pessimista e se conseguirmos superar, melhor'', disse o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda. Ele esteve na semana passada em Brasília discutindo as metas para os estados neste ano.
No Brasil, a intenção do governo é dar áreas para 115 mil famílias em 2005. Segundo Lacerda, no Paraná são 30 mil hectares de terras que estão em processo de compra adiantados e 5 mil de desapropriação. Isso comportaria cerca de 2 mil famílias.
A maior área que o Incra deve obter esse ano é a Fazenda Brasileira, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), com 10 mil hectares. Esse é um processo de compra que vem se desenrolando desde o início de 2004. ''Ainda não chegamos a um acordo sobre os valores com o proprietário'', explicou Lacerda. Dos 25 mil hectares que o Incra espera conseguir este ano, fazem parte sete áreas em processo de desapropriação e 15 em processo de compra.
Quanto aos recursos para atingir as metas, Lacerda explicou que não existe um orçamento certo para cada estado. O Incra vai disponibilizando o dinheiro conforme a necessidade: começou 2005 com caixa de R$ 3,5 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão só para aquisição de áreas em todo País. Em 2004, os estados receberam R$ 2,4 bilhões, a metade para compra de terras.
Segundo o Incra, o Paraná gastou no ano passado perto de R$ 200 milhões na compra de áreas e R$ 3 milhões em benfeitorias nos assentamentos já existentes. Para 2005, o objetivo é destinar R$ 5 milhões para benfeitorias.


