Curitiba - O superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR), Celso Lisboa de Lacerda, desmentiu, ontem, que foi fechado acordo com a direção da madeireira Araupel para a compra de 25 mil hectares da fazenda da empresa em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel) para implantação de assentamento de famílias de sem-terra. Segundo ele, a informação foi passada por Brasília para sua assessoria de imprensa porque o órgão está negociando com o governo federal um volume de recursos suficiente para adquirir essa extensão de terra, mas não necessariamente da Araupel.
''Não tem um número fechado ainda, mas se a Araupel ofertar 25 mil hectares e a gente não tiver dinheiro vai ficar ridículo'', consertou Lacerda. ''Todo esse empenho (em Brasília) é para garantir o recurso'', acrescentou. A Araupel, disse ele, teria ofertado 4 mil hectares de terra, que corresponderia à área denominada Bacia, onde já existe um acampamento de sem-terra desde 1999.
Lacerda não descarta a possibilidade da Araupel ampliar a oferta de área para a reforma agrária. ''A Araupel tem uma área grande (o Núcleo Agrícola Rio Campo Novo), onde cultiva grãos, que não é o negócio dela. O negócio dela é madeira e papel'', ponderou. O núcleo agrícola foi invadido por cerca de 1,5 mil famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em 12 de julho. Os sem-terra permanecem acampados na fazenda.
O superintendente esteve quinta-feira em Brasília negociando a liberação de recursos para compra de áreas. Segundo ele, está ''praticamente garantido'' que o Paraná ficará com R$ 100 milhões do bolo de R$ 160 milhões ainda não distribuído para os estados. Com esse dinheiro seria possível adquirir terras para assentar entre 1,2 mil e 1,5 famílias. Por enquanto, o Incra-PR tem cerca de 7 mil hectares de áreas ofertadas para aquisição.
O advogado da madeireira Araupel, Paulo Macarini, também negou que haja interesse dos acionistas da empresa em vender 25 mil hectares da fazenda. Ele conversou, ontem, por telefone, com diretores da Araupel, em Porto Alegre, e a informação que obteve foi de que a empresa mantém a proposta de ceder apenas a área da Bacia. O tamanho dessa área, segundo informação passada pelo diretor da Araupel, Luiz Roberto Ceron, em entrevista recente, seria de 2,3 mil hectares (e não 4 mil hectares confome informou Lacerda). Ceron não foi encontrado para comentar o assunto.

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