O Incra decide hoje se vai fazer ou não uma vistoria na fazenda Água do Bugre, no município de Querência do Norte (a 113 km de Paranavaí), reocupada há uma semana por 47 famílias do MST. Segundo o chefe da Divisão Fundiária do Incra em Curitiba, Pedro Luiz Kerber, ‘‘mesmo que a direção do Incra decida pela vistoria e considere as terras improdutivas a fazenda não poderia ser desapropriada pois tem menos de 15 módulos, ou seja, menos de 450 hectares’’.
Os 592 hectares da fazenda foram divididos em dois pela família Kruger D’Almeida em setembro do ano passado. Em outubro, a fazenda foi ocupada pela primeira vez pelo MST. ‘‘A divisão foi feita para evitar que o Incra considerasse as terras improdutivas. Com duas propriedades médias em nome de seus filhos, o dono da fazenda evita assim que o Incra considere a terra improdutiva’’, afirmou o coordenador regional do Incra em Querência do Norte Nildemar Silva.
Silva disse à Folha que deseja uma vistoria do Incra na fazenda ‘‘para que os técnicos do governo tentem descobrir os mapas e as divisas da Água do Bugre. Os novos registros não foram feitos em cartório porque até agora as divisas não foram localizadas. Se o registro definitivo da partilha não saiu como é que eles vão pagar imposto ao Estado?’, perguntou ele.
A UDR enviou fax aos meios de comunicação anunciando a invasão da Água do Bugre no último domingo por 20 famílias. Silva corrigiu a informação, dizendo que a fazenda foi reocupada por 47 famílias há uma semana.
Segundo a UDR, ‘‘enquanto o governo anunciava outro acordo com o MST, os líderes do movimento arquitetavam mais uma invasão, a décima na região de Paranavaí. Somente uma atitude firme por parte do governo do Estado fará acabar esta situação. A UDR já anunciou que concorda com a operação de desarmamento, desde que a ação atinja também os acampamentos de sem-terra’’. O fax da UDR não traz assinatura.
Fim de operação As polícias Militar e Civil decidiram interromper ontem a operação de desarmamento iniciada na última quinta-feira, dia 22, na região Noroeste do Estado. Neste período, os policiais revistaram duas fazendas ocupadas por sem-terra e três que não estavam ocupadas pelo MST. Nenhuma arma foi encontrada nas fazendas, todas localizadas na região de Querência do Norte.
Os policiais também fizeram blitz na PR-218, que liga Querência a Santa Cruz do Monte Castelo. Foram revistados 184 veículos, 77 caminhões e 17 motocicletas. Nesta operação, foram apreendidos três revólveres e um aparelho anti-radar. A polícia não divulgou os nomes e nem a profissão das pessoas que portavam as armas.

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