Incra pode rever regra do Pronaf
Emerson Cervi
De Curitiba
Até o fechamento desta edição a reunião de ontem entre representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná e comissão do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), em Brasília, não havia terminado. Mas os coordenadores do MST no Paraná disseram no início da noite que integrantes da comissão já tinham concordado em rever algumas das novas regras para o Pronaf desse ano.
Se forem mantidas as determinações publicadas há uma semana, cerca de 90% dos assentados no Paraná serão excluídos do crédito, segundo lideranças do MST no Estado. Minha superintendente adjunta está lá e disse que a reunião está caminhando muito bem, afirmou o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira. A reivindicação por recursos para produção não é exclusiva do MST mas de todos aqueles que apóiam a reforma agrária.
Cerca de 400 assentados da microrregião de Cascavel começaram a desmontar os barracos montados na semana passada na frente da agência do Banco do Brasil, no Calçadão da cidade. Mas estão dispostos a retomar os protestos na próxima semana.
As condições de sobrevivência estavam se complicando, pela falta de sanitários, e pela escassa alimentação. Ontem, por exemplo, o almoço foi composto por arroz, feijão e mandioca. As cerca de 30 crianças do acampamento não tinham leite e outros alimentos adequados para a idade.
Está marcada para hoje, às 9 horas, uma nova reunião entre lideranças do MST e o superintendente do Incra no Paraná. Dessa vez eles não vão falar de recursos para produção e sim de novos assentamentos. Os sem-terra esperam a apresentação das 20 áreas que devem ser desapropriadas até o fim do ano para assentamento de mais 1.200 famílias de sem-terra. Estamos aqui para mostrar a eles as áreas e garantir que a meta de assentar três mil famílias nesse ano será cumprida pelo Incra do Paraná, garantiu Vieira. Coordenadores do MST exigem que seja dado prioridade para o assentamento das 642 famílias desalojadas na região Noroeste pela polícia militar entre abril e maio.(Colaborou Paulo Pegoraro)





