Incra pede à Justiça reintegração de posse da sede em Belém
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 31 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pediu hoje à Justiça Federal a reintegração de posse da sede do órgão em Belém, ocupada desde quinta-feira por 400 agricultores sem-terra. Os lavradores são dos acampamentos das fazendas Bacuri e Quintino Lira, no nordeste do Pará. "Nós estamos de portas abertas e dispostos a negociar a pauta de reivindicações, a hora que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra quiser, desde que saiam do prédio", disse hoje o presidente do Incra, Francisco Orlando Muniz.
Os agricultores exigem a entrega dos títulos das duas áreas, créditos para plantio, habitação, saúde e educação, além da desapropriação da fazenda Taba, localizada em Mosqueiro, distrito da capital. A orientação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, é não negociar com movimentos que ocupem instalações do Incra.
Muniz afirmou que o MST também pode, se quiser, mandar seus representantes a Brasília para debater a pauta com ele. "Para mim não há nenhum problema em recebê-los. Eu tenho feito isso a todo momento, conversando com o pessoal da Contag, do MST e dos sindicatos. O que não pode é dialogar com pessoas feitas reféns. Isso não é democrático".
No caso da fazenda Bacuri, Muniz explicou que o problema ainda não foi resolvido definitivamente pelo Incra porque o Instituto de Terras do Pará (Iterpa) reivindica domínio sobre a área. "O processo está aqui em Brasília por uma questão ética. Não podemos desapropriar enquanto houver dúvida sobre a quem pertence a fazenda".
Quanto à fazenda Taba, Muniz foi taxativo: "Essa é uma questão de competência da prefeitura de Belém. O Incra nada tem a ver com isso e nem vai se meter no problema. A Taba está numa área urbana e não em área rural." Perguntado se algum representante do Incra poderia viajar a Belém para negociar a desocupação da sede e discutir a pauta do MST, o presidente do Incra disse que o interlocutor para dialogar em nome do órgão é o superintendente na região, Darwin Boerner. "Ele tem o meu apoio para fazer isso".
No início da noite um dos coordenadores nacionais do MST
Jorge Nery, admitiu a possibilidade de as famílias desocuparem a sede do Incra para negociar a pauta.No caso da Taba, Nery disse que o problema precisa ser avaliado numa reunião com Muniz. "Ele me parece um bom sujeito e com ele poderemos negociar". Nery disse que antes de qualquer manifestação oficial precisaria levar a proposta para os acampados na sede do Incra.


