Incra negocia e sem-terra libertam gado
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quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Agência Estado Itaquiraí 
Agliberto Lima/Agência Estado
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DiálogoSem-terra do acampamento 8 de Março dividem a carne das 42 cabeças abatidas na Fazenda Mestiço. Como a fazenda já foi declarada produtiva e não pode ser desapropriada, o Incra vai propor ainda a transferência do acampamento para outro localA superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso do Sul, decidiu ontem reabrir negociações com os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para tentar uma negociação pacífica para o conflito que envolve a Fazenda Mestiço, em Itaquiraí. Ontem, os sem-terra liberaram o gado que estava retido na pastagem ocupada, autorizando os empregados da propriedade a transferi-lo para outro local, distante do acampamento.
Para encaminhar os entendimentos, o superintendente adjunto do Incra, Paulo Afonso Condé, em reunião realizada ontem pela manhã com a coordenação estadual do MST, propôs encontro com os líderes do acampamento 8 de Março para segunda-feira na sede do orgão, em Campo Grande.
O Incra também decidiu recuar em sua posição de continuar retendo 2.163 cestas básicas até que os sem-terra deixassem a fazenda ocupada e se transferissem para o acampamento instalado às margens da rodovia BR-163 e anunciou a liberação do alimento. Ontem, Condé estava acertando a contratação de carretas para transportar o mantimento o que também deverá acontecer segunda-feira.
Na reunião com os líderes, o instituto anunciará a decisão de nomear uma comissão técnica do órgão para intensificar as vistorias de fazendas no cone sul do Estado em busca de áreas passíveis de desapropriação para o assentamento das famílias. Condé informou que já existem duas áreas passíveis de desapropriação por terem sido consideradas improdutivas, mas preferiu não identificá-las antes do encontro.
O superintendente adjunto vai propor ainda a transferência do acampamento para outro local, o que permitirá a liberação da Fazenda Mestiço, que já foi declarada produtiva e portanto não pode ser desapropriada.
Segundo Condé, existem duas áreas disponíveis para a instalação do assentamento provisório, uma de dez hectares, cedida pela prefeitura de Japorã, e outra de 50 hectares, onde será implantado um porto, em Itaquiraí. As duas áreas foram oferecidas anteriormente aos sem-terra que as recusaram, mas agora o superintendente acredita que os acampados deverão escolher uma delas.
Depois que o capataz Gerval Alves do Nascimento foi notificado pelo coordenador do MST, Carlos Santos, da liberação do gado, o administrador da Fazenda Mestiço, Auro Dias Mendonça, decidiu retirar ontem mesmo os animais, transferindo-os para outra pastagem. Seus empregados abriram uma passagem na cerca e os animais foram levados para um lugar distante daqui, conforme disse Mendonça.
Até ontem à tarde, o administrador não tinha feito a contagem dos animais para saber quantos foram abatidos pelos sem-terra na terça-feira. Ele confirmou que um touro, duas vacas e um bezerro foram mortos quarta-feira e a carne distribuída entre os acampados. Vários animais ficaram feridos e dezenas de bezerro corriam o risco de morrer de fome por terem perdido suas mães.
Os sem-terra confirmam o abate de 42 rezes na terça-feira, mas Mendonça informou que pelo menos 110 vacas e dez touros estão desaparecidos. Os reprodutores são importados e, segundo o proprietário da fazenda, Orensy Rodrigues, valem entre R$ 3 e R$ 5 mil cada.
No período da tarde, Mendonça deveria providenciar também a retirada, para uma fazenda próxima, de 11 máquinas agrícolas pertencente a Fazenda Mestiço. A decisão foi adotada depois que ele recebeu informações de que os sem-terra estariam se preparando para invadir a sede da fazenda para retirar o equipamento que seria usado por eles no preparo da terra.
Ontem os sem-terra começaram a trabalhar com enxadas cerca de três alqueires da propriedade visando, segundo o coordenador do MST, Carlos Santos, a formação de hortas comunitárias.
Paraná - Presidentes de 25 sociedades rurais do Paraná criam ontem em Umuarama, no Noroeste, a facção estadual do Movimento Nacional de Produtores (MNP), cuja principal bandeira é combater o movimento dos sem-terra. A entidade será presidida por Eduardo Baggio, presidente da Sociedade Rural de Paranavaí e fazendeiro em Querência do Norte, área de conflito entre proprietários rurais e sem-terra.


