Incra negocia compra de áreas no PR
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sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) conseguiu ganhar tempo e iniciou ontem negociações com proprietários de terra das regiões central e oeste do Paraná na tentativa de conseguir áreas que possam ser compradas para fins de reforma agrária. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se comprometeu a dar uma trégua e não invadir nos próximos dias áreas produtivas no Paraná. As praças de pedágio também não serão usadas para protestos até que o Incra apresente uma solução para 4 mil famílias acampadas em áreas de conflito ou em beira de rodovias. ''O MST vai aguardar as negociações do Incra antes de decidir o que irá fazer. Vamos esperar os resultados prometidos'', afirmou a assessoria de imprensa do MST.
As reintegrações de posse da Fazenda Campo Real, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava) e da Fazenda Complexo Cajati, em Cascacel, estão suspensas por tempo indeterminado. O integrante da Comissão de Mediação de Conflitos Agrários da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Jocler Jeferson Procópio, informou que o Paraná tem imóveis agrários disponíveis para a compra. O Incra vai identificar os imóveis e iniciar o processo para a compra destes imóveis.
O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, informou ontem que os proprietários das duas fazendas concordaram também com a suspensão temporária das reintegrações até que os acampados possam ser removidos para áreas produtivas. ''O despejo não é a solução. O conflito apenas migra de uma fazenda para outra nos despejos das famílias. O problema se resolve com a oferta de áreas e os assentamentos'', afirmou Lacerda. Os ruralistas das duas áreas se comprometeram a procurar terras que possam ser usadas para reforma agrária. ''Sempre têm imóveis para a venda. Eles podem localizar esses imóveis e nos apontar. O restante é conosco'', disse.
Atualmente, o Incra tem quatro áreas passíveis de assentamentos em processo de compra no Paraná. Outras 21 fazendas estão contestando desapropriações na Justiça Federal. Para o coordenador estadual de Política Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tarcísio Barbosa de Souza, os ruralistas não deveriam colaborar com o Incra na busca de terras. ''O Incra não está colaborando quando acha que está acima da Justiça e pede para que não haja reintegração de posse. Não acho que os ruralistas deveriam auxiliar. Entretanto, não vamos orientar os fazendeiros para que façam o contrário'', declarou, em entrevista à Folha.
Em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), que há cerca de duas semanas foi palco de confronto entre dois grupos de sem-terra pela posse da Fazenda Pau D'Alho, a situação é tensa. A informação é do comandante da 1 Companhia da Polícia Militar de Santo Antônio da Platina, Capitão Antônio Carlos Morais. Segundo ele, há informações de que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Norte do Paraná estaria recebendo adesões de outros grupos para confrontar integrantes do MST, que estão na fazenda. Ele informou ainda que a PM está monitorando a área para que não aconteçam novos conflitos.(Colaborou Chiara Papali)


