Curitiba- O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) iniciou ontem uma série de negociações para compra de parte da Fazenda Campo Real, em Candói, município que fica 76 km a oeste de Guarapuava. Na fazenda, que tem mandado de reitegração de posse expedido pela Justiça, estão acampadas 1 mil famílias de trabalhadores rurais sem-terra. A área com 6.121 hectares é considerada parcialmente produtiva.
O superintendente regional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, esteve ontem na área para pedir paciência aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''Não posso prometer área para assentamento imediato. Posso apenas me disponibilizar a tentar comprar parte da área. Os recursos para a compra estão garantidos'', afirmou. Lacerda foi a Candói a pedido dos sem-terra, que um dia antes haviam invadido duas praças de pedágio na tentativa de evitar as desapropriações na Fazenda Campo Real e na Fazenda Complexo Cajati, em Cascavel, onde outras 1,2 mil famílias estão acampadas de forma provisória.
Lacerda pediu que as reintegrações de posse não fossem cumpridas pela Secretaria de Segurança. Com isto, ele ganhou tempo para negociar com fazendeiros e sem-terra. As negociações de ontem não foram produtivas. Hoje Lacerda pretende visitar a região de Cascavel e iniciar negociação para a compra de parte de áreas do complexo. ''São áreas grandes e que podem ser usadas para fins de reforma agrária. Vamos negociar. Essa seria a saída viável para evitar conflitos na região'', informou ele.
Apesar de cumprir o que prometeu e não desocupar áreas de conflito, ontem policiais militares desocuparam a Fazenda Itambé, em Jundiaí do Sul.

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