Incra não vê ação de cartórios do PR em grilagem de terra
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Numa conclusão preliminar, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não confirmou o envolvimento de seis cartórios do Estado em casos de grilagem (posse irregular) de terras. A informação do procurador-jurídico do Incra, Nisclésio Zabot, contraria os indícios de irregularidades anunciados no ano passado pelo governo federal. Segundo ele, a investigação, que começou em dezembro de 1999, só deve ser concluída no ano que vem.
Zabot disse que a princípio nenhum dos cartórios apresentou evidências de fraude, de documentos falsos ou grilagem. Os cartórios investigados pertencem às comarcas de Catanduvas, Primeiro de Maio, Maria Helena, Adrianópolis, Castro e Guaratuba. O procurador avisa que as investigações ainda não são conclusivas. Em caso de irregularidades, os resultados das investigações vão ser enviados para o Ministério Público Federal.
Em dezembro do ano passado, o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, cancelou o cadastro rural de 3 mil latifúndios em todo o País formados a partir de grilagem de terras. Eles correspondem a uma área de 93 milhões de hectares. Jungmann acusou os cartórios de forjar escrituras de terras para legalizar o crime. A grilagem é feita através da transferência de áreas públicas para o patrimônio de particulares com o uso de escrituras falsas. Metade das fraudes teria ocorrido em cerca de 1% dos cartórios do País. Os estabelecimentos com maior suspeita de irregularidades ficam nas comarcas de Altamira, no Pará, e Lábrea, no Amazonas.


