Incra não vai mais desapropriar fazendas, diz Mílton Seligman
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Agência Estado 
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não quer mais desapropriar fazendas no País, segundo garantiu, ontem, em Campo Grande, MS, o presidente do órgão, Mílton Seligman. Ele explicou que essas decisões, entre os vários transtornos já causados, está atrasando a reforma agrária em todos os Estados, principalmente em Mato Grosso do Sul, onde existe o maior número de questões fundiárias para serem resolvidas junto ao Poder Judiciário. Entre elas, o município de Novo Horizonte do Sul, com 16 mil hectares que foram desapropriados da Someco (Sociedade de Melhoramento e Colonização), no município de Ivinhema, a 329 km de Campo Grande, na região sul do Estado.
A desapropriação está sendo contestada pelos proprietários desde 1986, quando centenas de famílias de brasiguaios resolveram deixar as lavouras do Paraguai e entrar no MS, fazendo um acampamento gigante em Mundo Novo, na Divisa com Guaíra, no Paraná. Desse local, os brasiguaios-sem-terra foram assentados nos 16 mil hectares da Someco. Inicialmente, foi forçado um núcleo urbano no assentamento. Atualmente o local é o município de Novo Horizonte do Sul, com prefeito e vereadores que foram sem-terra.
Na ocasião, a desapropriação custou o equivalente a R$ 8 milhões, mas a Someco discorda e quer pelas terras um total de R$ 600 milhões. Esta semana, o assunto foi analisado pela Justiça Federal, que decidiu conceder liminar ao Incra, suspendendo o pagamento de R$ 600 milhões até o julgamento do mérito.


