Incra não tem área para abrigar sem-terra de Porto Feliz
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, SP, 12 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não dispõe de área para abrigar os 2 mil sem-terra que invadiram a Fazenda Engenho Dágua, do Grupo União São Paulo, em Porto Feliz, interior do Estado, quando for executado o despejo determinado pela juíza Daniela Botoliero Ventrice. Os sem-terra estão na área desde domingo.
De acordo com o superintendente-adjunto do instituto em São Paulo, Moyzés Schenker, no levantamento preliminar feito pelo órgão não foi encontrada sequer uma gleba na região em condições de abrigar, ainda que provisoriamente, as famílias. A juíza concedeu liminar de reintegração de posse na segunda-feira, mas ontem condicionou o cumprimento do mandado à indicação de uma área, pelo Incra, para onde serão removidos os despejados. O prazo estipulado foi de 10 a 15 dias.
Ao ordenar o despejo, a juíza alegou que a fazenda é produtiva e, por estar toda plantada com cana de açúcar, não oferece condições para os sem-terra obterem sua subsistência. Hoje, Schenker disse que o Incra não tem como fornecer cestas básicas para as famílias. "Ainda não cadastramos aquele pessoal e, pelas informações que temos, a maioria não se enquadra no perfil da nossa clientela, que são os bóias-frias e agricultores sem-terra". O superintendente- adjunto disse que grande parte dos ocupantes da Engenho Dágua tem perfil urbano, sendo constituída por desempregados e sem-teto.


