Belém, 24 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) libertou, na manhã de hoje, o gerente e o subgerente da agência do Banco do Brasil (BB), em Parauapebas, no sudeste do Pará, Nilo Aurélio Ramos e Marcelo Souza, respectivamente. Os dois estavam reféns dos sem-terra, dentro da agência, desde quarta-feira. A decisão foi tomada após a direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília, prometer liberar R$ 10 milhões do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf). O dinheiro estará disponível em Parauapebas a partir da próxima segunda-feira.
Os cerca de 1.500 assentados de vários municípios da região que estavam no banco já desocuparam a agência. A liberação dos reféns e a volta à normalidade na agência do BB provocou a superlotação nos caixas de pessoas que ficaram impedidas de fazer saques. Gladson Barbosa, coordenador do MST em Marabá, disse que os assentados não queriam estragar o Natal dos correntistas, pois também continuam lutando para que os recursos do Pronaf sejam liberados antes do final do ano.
O presidente do Incra, Orlando Muniz, chegou a declarar ontem que todos os recursos destinados ao MST do sul do Pará para este ano já haviam sido repassados ao movimento. O MST contesta a informação, afirmando que mesmo com os R$ 10 milhões agora liberados ainda ficam faltando outros R$ 10 milhões. Esse dinheiro servirá para melhorias em dez assentamentos em oito municípios do sul e sudeste do Pará. O MST alega que o banco já deveria ter liberado o dinheiro há pelo menos dois meses, depois de intensas negociações em Brasília com o Ministério de Política Fundiária.
"Quem está segurando o dinheiro é o diretor de Crédito Rural do banco, Ricardo Conceição", acusa Gladson Barbosa. Ele prometeu que se o governo não cumprir sua palavra de colocar o dinheiro à disposição dos assentados no decorrer da próxima semana, a agência será novamente ocupada, "assim como a ferrovia de Carajás".

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