Incra inicia vistoria de 128 fazendas no Pará
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Carlos Mendes Especial para a AE 
Técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) começaram a vistoriar, ontem, mais de 1 milhão de hectares de 128 fazendas ocupadas nos últimos dez anos por cerca de 25 mil famílias de trabalhadores rurais sem-terra. As fazendas estão localizadas em cerca de 40 municípios do sul e sudeste do Pará. A vistoria, uma antiga reivindicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi definida durante acordo firmado pelas duas entidades com o Incra. O trabalho deve durar 90 dias.
Segundo o coordenador da CPT em Marabá, José Batista, o acordo não prevê o fim das invasões, mas favorece o entendimento para novos assentamentos. A direção do MST no Pará informou que seu objetivo é conseguir a desapropriação das 128 fazendas, embora Batista considere isso difícil. Ele disse que, para o Incra, várias dessas fazendas são consideradas produtivas.
Levantamento realizado pela CPT, MST e sindicatos de trabalhadores rurais aponta que cerca de 45 mil famílias de todo o sul e sudeste paraense não têm terra para morar ou plantar. De acordo com o superintendente do Incra em Marabá, Vitor Hugo da Paixão Melo, o órgão deverá assentar 10 mil famílias, até o final deste ano, nas duas regiões.
A CPT critica a escassez de recursos liberados até agora para abertura de estradas, construção de escolas e postos de saúde nos assentamentos. Nem 20% das necessidades dos agricultores estão sendo atendidas, reclama Batista.


