Incra inicia negociação com MST
Emerson Cervi
De Curitiba
O diretor de recursos fundiários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de Brasília, Luiz Fernando de Mattos Pimenta, começou ontem a rodada de negociações com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná. A pauta foi dividida em quatro pontos: assentamento em regime de urgência das 674 famílias desalojadas no noroeste do Estado em maio deste ano, regularização das 126 áreas ocupadas no Paraná, solução para o impasse nas grandes fazendas invadidas pelo MST e cronograma de novas vistorias.
A reunião de ontem começou às 16h e seguiu até 19h30. Foi possível tratar apenas dos impasses na região noroeste do Estado, maior centro de conflito agrário do Estado. Hoje, a reunião começa às 9h para tratar das três maiores ocupações de sem-terra. São as áreas da Fazenda 7 Mil, Giacometi e Cajati-Cascavel. Nelas existem mais de três mil famílias irregulares.
Uma das principais reivindicações do MST é o assentamento imediato das famílias desalojadas pelo governo do Estado nas reintegrações de posse em maio deste ano. Não aceitamos transferir os sem-terra do noroeste para outras regiões do Estado, disse um dos coordenadores estadual do Movimento, Ireno Prochnov. O diretor de recursos fundiários do Incra quer estabelecer uma agenda de ações e disse que na medida do possível as famílias devem ficar na região. Estamos vistoriando áreas no noroeste, norte velho e centro do Estado, que darão condições de assentar todas estas famílias, disse.
Para responder à reclamação dos sem-terra de que não estão sendo vistoriadas fazendas no noroeste, o superintendente regional José Carlos de Araújo Vieira citou vários municípios onde houve vistorias do Incra no último mês. Entre eles estão São Pedro do Paraná, Amaporã e Mirador. Se o MST entregar o cadastro das famílias nós temos condições de assentar todas elas, disse.
Na semana passada o MST apresentou uma lista com 126 áreas invadidas e deveriam ser desapropriadas. Destas, 27 são da região noroeste. A maioria delas está em área de fronteira, o que impede a desapropriação. Este ano, o Incra determinou a desapropriação de 52 imóveis rurais, que totalizam 33 mil ha e podem atender 1.800 famílias. A meta até meados de outubro é começar os processos de desapropriação de outros 45 imóveis para assentar mais 1.200 famílias.





