Incra ignora existência de área paga pelo governo
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domingo, 06 de julho de 1997
Agência Folha Campo Grande 
Uma área de 2.800 hectares comprada pelo governo federal para fins de reforma agrária no sul de Mato Grosso do Sul está desaparecida. O relatório da comissão formada pelo Incra para estudar o assunto, ao qual a Agência Folha teve acesso, diz que é evidente que o Incra não recebeu essa área para assentamento de trabalhadores rurais.
Mesmo com o relatório conclusivo da comissão, o superintendente-adjunto do Incra, Paulo Afonso Condé, disse que o assunto ainda está sob investigação. Ainda existe a possibilidade de a área, por algum motivo, na verdade estar incluída em outro projeto do órgão, afirmou. A comissão é formada por um procurador e dois técnicos do Incra e um representante do MST (Movimento dos Sem-Terra).
A compra da área foi acertada num acordo assinado entre os quatro proprietários e o então presidente do Incra, Rubem Ilgenfritz da Silva, em Brasília, no dia 8 de agosto de 86. A área fazia parte de um total de 5.700 hectares, objetos de indenização e posteriormente transformados no Projeto de Assentamento São José do Jatobá, onde foram assentadas 144 famílias sem terra, que ocuparam parte da Fazenda São José, no município de Sete Quedas, no final de 85.
Igenfritz, hoje agricultor em Ijuí (RS), disse ontem por telefone não ter a mínima condição de emitir opinião sobre o assunto. Assinei milhares de papéis. Não tinha como ir conferir tudo, afirmou. O acordo dizia respeito a uma área total de 14.484,80 hectares pertencentes a três fazendeiros e uma empresa.
No decorrer do processo, 8.700 ha foram excluídos por motivos diversos, ficando 5.700 ha para o assentamento. Dos 14,4 mil ha, a comissão conseguiu identificar apenas 11.684,7 ha, restando 2.800,07 ha. A comissão concluiu que esta área existe somente em documento, apesar de o Incra ter pago indenização sobre a terra nua, supostas benfeitorias e suposta cobertura florística.


