Curitiba - No início da noite de ontem, cerca de 600 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) começaram a desmontar o acampamento em frente ao prédio da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba. Os manifestantes, que haviam acampado no local na segunda-feira, decidiram sair após uma reunião com o presidente do Incra, Rolf Hackbart.
Hackbart disse que o órgão irá agilizar os processos de desapropriação e aquisição de terras no Paraná. ''Nós temos recursos garantidos para todas as áreas que o Incra do Paraná apresentar até o final desse ano'', afirmou Hackbart.
A pauta de reivindicações do movimento trazia vários itens: atualização dos índices de produtividade do Paraná, assentamento de cerca de 8 mil famílias acampadas no Estado, liberação de recursos para infra-estrutura de assentamentos, educação e saúde. O MST também quer que seja desbloqueado um convênio de assistência técnica que foi suspenso pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o movimento, a ação do TCU está prejudicando 13 mil famílias assentadas.
Hackbart disse que os recursos para infra-estrutura serão liberados ''de acordo com a capacidade de aplicação''. Ele garantiu que na próxima terça-feira serão depositados R$ 258 mil para convênios de educação no Paraná. Também na semana que vem, R$ 274 mil, provenientes do Incra e da Secretaria de Agricultura Familiar, deverão ser garantidos para um programa de agroecologia do MST no Estado. Sobre o bloqueio do convênio de assistência técnica, Hackbart afirmou que o assunto será discutido numa reunião no TCU, em Brasília, na próxima semana.
Roberto Baggio, coordenador estadual do MST, considerou positivo o encontro com o presidente do Incra, mas fez críticas. ''Vamos usar esse resto de ano e os próximos quatro anos para intensificar a pressão em nome da reforma agrária. A legislação tem que mudar e o Incra precisa ser reestruturado'', disse Baggio.

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