Curitiba - A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná desencadeia uma força-tarefa em áreas destinadas a reforma agrária no Estado. Pelo menos 420 mil hectares, divididos nos 318 assentamentos, passarão por vistorias para constatar possível comercialização irregular de terras. Em todo o Estado, segundo dados do instituto, estão assentadas 20 mil famílias. Deste total, conforme estimativas prévias do órgão, 1,5 mil devem estar com problemas.
Atualmente existem na Justiça Federal do Paraná 51 ordens de reintegração de posse de imóveis vendidos sem a permissão do Incra. Estes pedidos se referem aos assentamentos já vistoriados, de Marcos Freire e Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu (Centro-Sul). O levantamento começou em agosto.
A previsão é de que até o final do ano a apuração recomendada a pedido do Ministério Público Federal (MPF) esteja concluída.'Nos casos em que as vendas dos imóveis foram feitas há mais de um ano, pretendemos avaliar o perfil de cada família e, se as condições socioambientais foram atingidas e eles dependerem do trabalho do campo para conseguir renda, a regularização do imóvel será concedida. Em vendas feitas há menos de um ano ingressaremos com reintegrações de posse como já ocorreu na primeira vistoria', explicou o superintendente regional do Incra, Nilton Bezerra Guedes.
Planejamento
A maior dificuldade, conforme o Incra, não é comprar áreas para as famílias sem-terra, mas desenvolver um projeto que possibilite a permanência dos assentados na área destinada. Segundo o instituto, no Paraná são 6,3 mil famílias acampadas e que ainda aguardam um terreno. Após o trabalho de levantamento, o controle das áreas destinadas para evitar vendas irregulares será aliado à implantação de infraestrutura para a permanência das famílias nos assentamentos. ''Os assentamentos criados anteriormente não tiveram políticas de desenvolvimento. Apenas davam a terra e achavam que o problema estava resolvido. No entanto é preciso criar condições de obtenção de renda'', afirmou. Além da assistência técnica, o Incra também desenvolve projetos de educação no campo e de agroindustrialização.
Acampados
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) informou que apoia o levantamento do Incra. ''Acreditamos que as irregularidades não chegam a 10% do total de assentados, mas é necessário ter o número exato para que as medidas sejam tomadas. Aqueles que estão em situação irregular devem ser despejados. Sempre fomos contra a venda de imóveis nos assentamentos e a favor da regularização'', afirmou Ramon Brizola, da direção estadual do MST.

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