Belém, 30 (AE) - A direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília, não vai negociar com o Movimento de Luta pela Terra (MLT) a desapropriação de quatro fazendas em Curionópolis, no sudeste do Pará, enquanto não forem libertados os agrônomos Raimundo Maués e Manoel Carvalhal, mantidos como reféns desde ontem (29) na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Curionópolis. A decisão do órgão foi comunicada na tarde de hoje aos deputados Giovanni Queiroz e Zequinha Marinho (PDT-PA) pela chefe de gabinete da presidência do instituto, Maria Oliveira. "Nós não negociamos sob pressão", resumiu ela, segundo os deputados, que se ofereceram para ficar no lugar dos reféns enquanto o Incra providenciaria a ida a Curionópolis de três negociadores para resolver o problema.
Queiroz contou que desde segunda-feira à noite mantém contato com a direção do instituto e com as lideranças dos trabalhadores que ocupam as quatro fazendas tentando encontrar uma solução, "Fica difícil com reféns no meio", acrescentou Marinho. Maria Oliveira disse aos deputados que o Incra tem uma avião pronto para decolar de Brasília, levando seus negociadores
mas exige que, primeiro, os reféns sejam soltos.
O presidente do Comitê pela Reforma Agrária de Curionópolis, do qual o MLT e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais fazem parte, José Luiz Dias da Rocha, garantiu que os reféns não serão soltos. "O Incra valoriza mais sua arrogância que a vida de seus dois funcionários", afirmou Rocha, enfatizando que os agrônomos ficarão retidos por "tempo indeterminado".

mockup