Incra é acusado de fraudar vistorias
Carmem Murara
De Curitiba
Os ruralistas aproveitaram ontem a primeira audiência pública sobre a reforma agrária, promovida pela Comissão Parlamentar de Fiscalização e Controle do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para lançar uma enxurrada de acusações contra o instituto no Paraná. Os fazendeiros e representantes acusaram o Incra de forjar ou trocar laudos de vistoria para beneficiar os sem-terra. Os diretores do Incra e do governo do Estado não tiveram a chance de se defender.
O deputado Moacir Micheleto, membro da comissão e vice-presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), disse que o Incra teria oportunidade para apresentar suas justificativas quando fosse convocado pela Câmara dos Deputados, em Brasília. Isso aqui (audiência pública) não é para réplica nem tréplica, disse ao superintendente do Incra, José Carlos Vieira. Todas as acusações foram coletadas e poderão embasar uma futura CPI do Incra, defendida por Micheleto.
Entre as denúncias, a que mais se destacou partiu do advogado João More e diz respeito à Fazenda Marília, do município de Colorado (85 km ao norte de Maringá). O laudo do Incra diz que a terra é produtiva, mas, misteriosamente, ele desapareceu do processo, dois dias após ter sido anexado, acusou More. A fazenda foi invadida pelos sem-terra em outubro do ano passado.
Com os ânimos inflamados, os ruralistas e representantes lotaram o auditório do Edifício Castelo Branco para mostrar suas indignações contra o Incra. Ele não economizaram palavras para desmerecer a atuação do instituto no Paraná. Eles agem apenas para beneficiar os sem-terra, protestou o advogado. Outro foi além e gritou: Temos que acabar com este grande mal para o País que é o Incra.
A audiência pública no Paraná foi a primeira de uma série que deve ser feita nos Estados onde há conflitos de terra. O deputado gaúcho Luiz Carlos Heize (PPB), que participava da audiência, disse que a intenção é esclarecer as denúncias que pesam contra o Incra. Ele afirmou que é preciso deixar mais claro os gastos do órgão. De 1994 até o ano passado, o governo federal gastou R$ 11 bilhões para assentar 372 mil famílias, disse Heize. As audiências terminam em seis meses.Atuação do instituto no Paraná foi duramente criticada por ruralistas ontem na audiência pública sobre a reforma agrária, realizada em Curitiba
José SuassunaMAL PARA O PAÍSOs deputados Luiz Carlos Heize e Moacir Micheleto (ao microfone): Incra só defende os sem-terra





