Curitiba- O superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, ainda não sabe quanto será repassado ao Estado da verba suplementar de R$ 1,7 bilhão do Programa Nacional de Reforma Agrária, mas tem certeza de que ''o Paraná vai ficar com uma boa fatia''. A complementação orçamentária foi anunciada anteontem à noite pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto.
A afirmação, segundo Lacerda, leva em conta o fato de que o Paraná e Pernambuco são os estados em que a demanda pela reforma agrária é maior. Pelo último levantamento do Incra do Paraná são mais de 15 mil famílias de trabalhadores rurais sem-terra vivendo em acampamentos no Paraná. A meta do governo federal para o Paraná, informou o superintendente, é de assentar 10 mil famílias, cerca de 3 mil delas somente este ano.
Além de ser um dos estados com maior demanda, Lacerda argumenta que o custo das terras nas regiões Sul e Sudeste é maior, por isso, o repasse de recursos para o Paraná vai considerar essa conta. Segundo cálculo do Incra no Estado, cada família assentada tem um custo de R$ 70 mil, ou seja, para cumprir a meta de 3 mil famílias, o Paraná vai precisar de R$ 210 milhões.
Em 2003, foram assentadas apensas 161 famílias. Lacerda justifica que o processo de obtenção de áreas é lento, por isso, não foi possível atender um número maior. Segundo ele, existem outros processos de desapropriação de terras em andamento, que vão permitir o assentamento de mais 4 mil famílias, aproximadamente. Entre elas, estão incluídas as 1.580 famílias que ocuparam o Núcleo Agrícola Campo Novo, da Fazenda Araupel, em 2003. Está sendo negociada com a empresa uma área de 25 mil hectares. Outros 28 mil hectares da propriedade da Araupel foram destinados à reforma agrária.
A invasão ocorrida na madrugada do último domingo por cerca de 150 famílias de sem-terra em uma outra parte da Fazenda Araupel, chamada projeto 13-A, segundo o superintendente do Incra do Paraná, não comprometeu as negociações com a empresa. No entanto, Lacerda afirmou que o instituto não tem interesse em nenhuma outra área da fazenda. Segundo ele, os 30 mil hectares remanescentes são cobertos com reflorestamento e teriam um custo muito elevado.
As famílias que ocuparam a área de reflorestamento de cerca de 400 hectares seriam ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Lacerda afirmou que são famílias de um acampamento de Laranjeiras do Sul, que já estão cadastradas no Incra paranaense para serem incluídas na reforma agrária.
Ontem, a Araupel entrou com uma ação de reintegração de posse na Vara Cível da Comarca de Laranjeiras do Sul. O juiz João Luiz Manassés deve analisar hoje o pedido.
Ontem, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná anunciou ter feito mais uma desocupação de terra. Foram retiradas 15 pessoas que haviam entrado na Fazenda Bernieri, em Honório Serpa, a 470 km de Curitiba. Segundo a secretaria, os 50 homens da Polícia Militar foram deslocados para cumprir a reintegração de posse, mas os agricultores deixaram pacificamente a área. A fazenda havia sido invadida em novembro de 2003.
A Secretaria afirma que desde o início do ano passado foram feitas 44 desocupações pacíficas no Estado.

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