Incra diz que não pode atender reivindicação do MST
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 10 (AE) - O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nelson Borges, descartou hoje qualquer possibilidade de o órgão atender a reivindicação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do Pará. O movimento reivindica a liberação R$ de R$ 250 milhões para investimentos no programa de reforma agrária em 220 assentamentos com 50 mil famílias e em outras 200 áreas invadidas e ocupadas por 32 mil famílias, mas não regularizadas, ainda este ano, em todo o sul do Estado. "Nós estamos trabalhando com a nova proposta feita pelo MST, que está em torno de R$ 100 milhões, mas mesmo R$ 100 milhões nós não temos", afirmou Borges.
Segundo ele, qualquer alteração no orçamento "independe da vontade do Incra". MST, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), federações e sindicatos de trabalhadores rurais, junto com o Incra começam, amanhã (11), uma nova rodada de negociações sobre financiamentos para a região paraense, agora com a área econômica do governo, em Brasília. Borges defende um remanejamento de recursos do orçamento para atender aos assentados do sul do Pará, região que ele considera "especial e com uma demanda reprimida de grandes problemas".
O presidente do instituto disse que o Incra já havia oferecido ao MST, na semana passada, R$ 10 milhões a mais do que estava consignado no orçamento de 99. "Isso já demonstrou todo o nosso esforço". Independente do que for definido nas reuniões, segundo ele, o Incra vai oferecer "compensações" para melhorar as condições dos assentamentos e áreas ocupadas no Pará. "Vamos negociar tudo, mas dentro do jogo razoável". MST - O coordenador do MST no Pará, Raimundo Nonanto Coelho de Souza, afirmou que o movimento "não quer criar problemas nas reuniões com os homens do governo, mas resolvê-los". Para ele, o governo federal tem uma enorme dívida social para com o sul do Pará que ainda não foi paga. "É preciso ver que esses agricultores e suas famílias estão abandonados, não têm estrada, saúde, escola, nada".


