Incra diz que multa é 'imoral'
Israel Reinstein
Para o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos de Araújo Vieira, faltou agilidade do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para impedir a devastação de florestas no assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu. De acordo com Vieira, o IAP foi comunicado, em outubro do ano passado, da existência de uma serraria na antiga Fazenda Giacomet-Marodin, mas não tomou nenhuma providência. No entanto, o diretor do IAP, José Antônio Andriguetto, afirmou que o Incra tinha sido comunicado em 1997.
Vieira considerou a multa do IAP imoral. Para o superintendente, Andriguetto já sabia da existência da madeireira, quando recebeu da superintendente adjunta do Incra, Jeanete Becker Finco, um ofício comunicando o fato. É uma brincadeira, comunicar o fato e depois de um ano ser multado, disse. Anteontem, o Incra foi oficialmente notificado que terá que pagar 5 mil Ufirs (cerca de R$ 5 mil).
Porém o diretor do IAP afirmou que também pode mostrar documentos anteriores, que avisam o Incra do corte ilegal. Andriguetto informou que, nos últimos três meses, o IAP emitiu mais de 30 autos de infrações, entre eles contra o MST e o Incra.
Nas notificações, não existe o nome de membros do movimento (do MST), mas de serrarias e de alguns municípios, rebateu Vieira. Mas, Andriguetto afirmou que não notificou nenhum sem-terra, por não poder identificar os responsáveis da ação. Vieira afirmou que o Incra vai mostrar, hoje, à Promotoria de Meio Ambiente, que a fazenda era devastada desde 1997.





