Incra diz que assassinato foi infeliz coincidência
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sábado, 18 de janeiro de 1997
Elvira Fantin 
Sucursal de Curitiba
Arquivo FolhaMaria: negócio mantidoA superintendente regional do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, disse ontem que o assassinato dos dois sem-terra no momento da conclusão das negociações com os proprietários da Pinhal Ralo foi uma infeliz coincidência. Ela descartou totalmente qualquer ligação entre as mortes e o desfecho do caso. Passamos nove meses exatos negociando, sem qualquer conflito mais grave e agora acontece esta tragédia, lamentou.
Infelizmente agora vai parecer que a desapropriação, publicada hoje (ontem) no Diário Oficial, aconteceu em função do conflito, mas isto não é verdade, declarou a superintendente. Ela informou que o decreto foi assinado no dia 10 último, mas a publicação só saiu ontem.
Maria disse que o Incra não vai participar das investigações dos assassinatos porque esta função é específica da polícia. A superintendente disse que não acredita no envolvimento dos proprietários da fazenda no assassinato dos sem-terra. Desde o início da ocupação os diretores da Giacomet-Marodin se dispuseram a negociar, informou.
O Incra informou que vai manter o ato de transferência de posse da área na próxima quinta-feira dentro da fazenda. Nada vai mudar a programação. Haverá apenas um percentual de tristeza, disse Maria de Oliveira. Segundo ela, está confirmada a presença do ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, e do presidente do Incra, Nestor Fetter, além do governador Jaime Lerner. Este será o maior assentamento em número de famílias do País. A estimativa do Instituto é que entre 800 e 1 mil famílias sejam assentadas no local.
Em Foz do Iguaçu, o governador Jaime Lerner determinou ontem investigação rigorosa do conflito. Ele acompanhou o caso na cidade, onde fazia uma inauguração. O governador descartou a possibilidade de enviar tropas da PM ao local, mas pediu que o policiamento fosse reforçado.
DesapropriaçãoOutra fazenda foi desapropriada ontem pelo Incra. A Fazenda Sonho Real, de propriedade da Jabur Agropecuária Ltda. O imóvel fica em Querência do Norte, no Noroeste do Paraná. A área desapropriada tem 2.545 hectares e foi invadida em setembro último. Segundo o Incra, 100 famílias serão assentadas no local. (Colaborou Antonio França).


