Incra diz que apurou ameaças contra assentados
Dimitri do Valle
De Curitiba
A superintendente-adjunta do Incra no Paraná, Maria Rozalina Arend, disse que as denúncias envolvendo ameaças e pressões contra os agricultores do assentamento Luis Carlos Prestes estavam sendo apuradas há 30 dias. Uma comissão do Incra esteve em Querência do Norte para ouvir os relatos das 26 famílias que moram no assentamento.
Segundo Maria Rozalina, a causa dos problemas provocados por representantes da Coana, a cooperativa do MST em Querência do Norte, seria a disposição dos assentados em procurar outros órgãos que pudessem prestar assessoria técnica. Houve uma pressão muito grande por parte da cooperativa para que isso não acontecesse, disse. Ela relatou que o líder do assentamento, Celso Antônio Bakes, estava sendo ameaçado há muito tempo por exercer a liderança de se libertar da Coana.
Segundo a superintendente, outras quatro famílias que moravam numa área de 30 hectares dentro do assentamento foram expulsas do local por integrantes do MST. Esta área serviria para ser explorada pelo próprio MST, afirmou Maria Rozalina.
Em nota à imprensa, a coordenação do movimento em Querência do Norte disse que a área era considerada reserva legal do assentamento e não poderia ser ocupada. O movimento confirmou ter retirado do local o líder do assentamento, Celso Bakes, que teria permitido a invasão desta reserva. Segundo o MST, ele não foi agredido e deixado na casa de familiares em Cascavel.
Bakes, de acordo com a nota, desrespeitou o regimento interno do assentamento. As regras teriam sido elaboradas pelo Incra, Emater, MST e técnicos da área. O MST informou que Celso Bakes permitiu que três famílias ocupassem de forma irregular a área de reserva legal do assentamento.
A coordenação do movimento culpou o Incra por ter sido alertado da ocupação da área de preservação permanente sem tomar qualquer providência para evitar os problemas. É importante salientar que o Incra do Paraná, ciente dos fatos, não tomou nenhuma medida por conivência e omissão, já que está a serviço do latifúndio, dando prioridade à abertura do inquérito contra o MST, em vez de se preocupar com o devido andamento do processo da reforma agrária, diz a nota.





