Incra divulga relação com 25 mil ha para assentamento
Israel Reinstein
De Curitiba
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pretende esperar até o dia 10 para que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) regularize o decreto de desapropriação de 25 mil hectares no Estado. O Incra divulgou ontem a relação das áreas que podem ser destinadas à reforma agrária. Depois desse prazo, caso o governo federal não cumpra os acordos, a intenção é mudar o tom da conversa. A tática do diálogo tem apresentado resultado pequeno, talvez seja preciso deixar as ações menos pacatas, para acelerar o diálogo, avalia um dos coordenadores do MST, José Damasceno. Ontem, 150 sem-terra estiveram negociando com o superintendente do Incra, José Carlos de Araújo Vieira.
Para o coordenador, o governo federal nem o estadual vêm se esforçando para resolver o problema do assentamento de famílias. Damasceno conta que já passaram quase cinco meses, sem que tenha havido um resultado concreto. Houve conversa com ministro, diretor nacional do Incra, governador e, mesmo assim, as 648 famílias despejadas nas desocupações em abril e maio continuam na beira da estrada.
Ontem, o superintendente do Incra, José carlos de Araújo Vieira e o diretor substituto da Diretoria Nacional de Assentamento, Lauro Donizetti, anunciaram que foi enviada a Brasília a documentação para decretar 25 mil hectares para reforma agrária.
Essas áreas (ver tabela) vão abrigar em torno de 1,3 mil famílias. Após a publicação dos decretos, deverão ser criados os projetos de assentamentos. Para o superintendente, o programa de reforma agrária no Paraná está sendo cumprido com sucesso. Vieira condenou as invasões de áreas produtivas, ocorridos nos últimos dias no Paraná.
Para Damasceno, o governo estadual e federal poderiam entrar na história se agilizassem os assentamentos. Mas além de demora, não repassam dinheiro para o plantio nos assentamentos, reclama. Até agora, prossegue, não foi liberado os R$ 65 milhões para o plantio da safra de agosto e setembro. Nem, o dinheiro emergencial de R$ 28 milhões foi depositado nos bancos.. O Incra prometeu enviar os projetos dos recursos ao banco do Brasil até segunda-feira.





