Belém, 07 (AE) - A fazenda Maciel II, em São Félix do Xingu, no sul do Pará, está dentro da reserva de 900 mil hectares dos índios parakanã. Quem descobriu isso foi o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Marabá. Não há qualquer registro nos arquivos do órgão sobre a fazenda.
Foi na Maciel II que, há 15 dias, fiscais do Ministério do Trabalho e agentes da Polícia Federal libertaram 182 trabalhadores que viviam em regime de escravidão. O superintendente do Incra em Marabá, Vitor Hugo da Paixão Melo, disse que o órgão tem interesse em utilizar a fazenda na reforma agrária. Mas acrescentou que isso só poderá ser feito depois que a Fundação Nacional do Índio (Funai) entrar com processo na Justiça Federal contra o fazendeiro por invasão de terra indígena.
Melo informou que o Incra já está tentando transferir as 500 famílias que atualmente vivem dentro da reserva dos parakanã para outro local na região. "Esse remanejamento terá de ser feito para evitar mais problemas na terra dos índios". O delegado Hélio Kristian, da Polícia Federal, disse que já desconfiava que a fazenda estava dentro da reserva. "Eu notei isso no mapa do Pará ". Kristian notificou hoje os fazendeiros Jeová Pimentel e Haroldo Passarinho, supostos donos da Maciel II
para depor na sede da PF em Belém, na próxima semana.

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