O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nelson Borges, descartou ontem qualquer possibilidade de o órgão atender a reivindicação do MST do Pará. O movimento reivindica a liberação de R$ 250 milhões para investimentos em reforma agrária em 220 assentamentos com 50 mil famílias e em outras 200 áreas invadidas e ocupadas por 32 mil famílias, mas não regularizadas, ainda este ano, em todo o Sul do Estado. ‘‘Nós estamos trabalhando com a nova proposta feita pelo MST, que está em torno de R$ 100 milhões, mas mesmo R$ 100 milhões nós não temos’’, afirmou Borges.
Segundo ele, qualquer alteração no orçamento ‘‘independe da vontade do Incra’’. MST, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), federações e sindicatos de trabalhadores rurais, junto com o Incra começam, hoje, uma nova rodada de negociações sobre financiamentos para a região paraense, agora com a área econômica do governo, em Brasília. Borges defende um remanejamento de recursos do orçamento para atender os assentados do Sul do Pará.
O presidente do instituto disse que o Incra já havia oferecido ao MST, na semana passada, R$ 10 milhões a mais do que estava consignado no orçamento de 99.
O coordenador do MST no Pará, Raimundo Nonato Coelho de Souza, afirmou que o movimento ‘‘não quer criar problemas nas reuniões com os homens do governo, mas resolvê-los’’. Para ele, o governo federal tem uma enorme dívida social para com o sul do Pará que ainda não foi paga. ‘‘É preciso ver que esses agricultores e suas famílias estão abandonados, não têm estrada, saúde, escola, nada’’.

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