Hugo Marques
Agência Estado
De Brasília
O ministro da Política Fundiária e do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, anunciou ontem a demissão de nove servidores por corrupção e abandono de cargo, no Pará, no Amapá e em Brasília. Jungmann propôs que todas as autoridades públicas abram seus sigilos bancários, telefônicos e fiscais, a exemplo da cúpula de seu ministério.
No Amapá, foram demitidos o chefe do Grupamento de Finanças, o administrador Agenor Pires Barbosa, e as técnicas em contabilidade Ângela Simei Ferreira de Oliveira e Maria de Fátima Bezerra dos Santos.
Segundo o Ministério, os servidores estavam envolvidos em emissão fraudulenta de ordens bancárias e apropriação indébita de diárias de viagens. Agenor recebeu quatro lançamentos de R$ 7.078,00 em sua conta corrente em um único mês. Ainda no Amapá, o governo aplicou suspensões de 30 a 40 dias a seis servidores, acusados de ‘‘conivência’’ com as fraudes.
Jungmann demitiu no Pará o engenheiro agrônomo Wilson Mota Figueiredo, o técnico em contabilidade Lucas Maurício de Farias e o assistente de administração José Jessiel Freitas de Lima.
De acordo com o Ministério, os três foram designados para administrar o projeto agroindustrial canavieiro Abraham Lincoln-Usina Pascal e prevaleceram-se dos cargos para enriquecer ilicitamente, aplicando irregularmente dinheiro público e utilizando materiais públicos em atividades particulares.
Em Brasília, o servidor Antônio Carlos Alves dos Santos, que estava cedido para a Advocacia Geral da União no Paraná, foi demitido por vender material de informática que pertencia à União.
Foram demitidos por abandono de cargo o técnico agrícola Josmiro Roberto de Freitas e o auxiliar de serviços gerais José Cláudio Braga Cavalcanti. Todas as demissões deverão ser publicadas no Diário Oficial da União que circula hoje.
Jungmann disse que a União vai entrar com ações para ressarcir os prejuízos e desvios causados por todos os servidores. O ministro disse que busca a ‘‘exemplaridade’’ ao demitir os corruptos da administração.
Segundo o Ministério, já foram demitidos mais de 35 servidores desde o início do ano. Em novembro, Jungmann anunciou a demissão de seis servidores envolvidos no escândalo de fraude e superavaliação de terras da Teka Tecelagem Kuerich S.A.
O ministro disse que todas as autoridades públicas, inclusive os parlamentares, deveriam abrir seus sigilos bancários, telefônicos e fiscais. Segundo ele, todas as contas bancárias da cúpula da Política Fundiária estão abertas há quase um ano.

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