Incra convoca PM com medo de ter sede em Belém invadida e MST cancela reunião
Belém, 20 (AE) - A presença de policiais militares, solicitados pela direção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Belém para prevenir uma eventual invasão de sua sede, provocou o cancelamento de uma reunião que líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) manteriam hoje com diretores do instituto. Problemas relacionadas com a distribuição de 466 cestas básicas às famílias acampadas na Fazenda Bacuri, em Castanhal, a 65 quilômetros da capital, também teriam contribuído para a decisão.
A assessoria de Imprensa do Incra em Belém disse desconhecer os motivos do cancelamento da reunião pelo MST. "Até as cestas básicas que eles pediram nós atendemos", explicou um assessor. Segundo o órgão, a PM foi chamada porque "havia a ameaça de ocupação da sede". A ouvidora-geral do Incra na capital paraense, Maria Oliveira, determinou que o expediente fosse suspenso durante a tarde e os funcionários liberados. De acordo com o comando da PM, a solicitação de policiais para guarnecer o prédio partiu do superintendente do instituto, Darwin Boerner.
Segundo o líder do MST na Fazenda Bacuri, Alcenir Monteiro, a reunião foi cancelada porque não é possível discutir com o governo federal a desapropriação de terras sob a mira de armas. "Será que ainda não bastou o episódio de Eldorado dos Carajás?", questionou. Monteiro disse que os sem-terra querem que suas reivindicações sejam debatidas em nova reunião, mas "sem a PM por perto".
Sobre a distribuição de cestas básicas na Fazenda Bacuri, Monteiro afirmou que o Incra mandou para Castanhal um caminhão com os produtos sabendo que mais de 60% dos acampados estavam em Belém, participando de manifestações. "Nós não concordamos com isso, porque a maioria das famílias seria prejudicada".





