Incra confirma interesse em fazenda da família Janene
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sexta-feira, 04 de dezembro de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmou o interesse na aquisição da Fazenda Marília, no distrito de Lerroville, na zona rural de Londrina, para assentamento das famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que ocupam a área desde o último sábado. No entanto, a assessoria de imprensa do órgão esclareceu que a oferta depende do proprietário, a família do ex-deputado José Janene, que morreu em 2010 antes de ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão.
Além disso, o Incra disse que recebeu informações de que a área estaria bloqueada pela Justiça Federal em decorrência das investigações contra Janene, o que impossibilita a aquisição da fazenda. No processo de desapropriação, o Incra paga indenização aos proprietários em valores de mercado após vistoria de avaliação. A indenização pela terra nua é paga em Títulos da Dívida Agrária (TDA) emitidos pelo Tesouro Nacional. Já as benfeitorias, como edificações, cercas e pastos, são pagas em dinheiro à vista.
Segundo o MST, 550 famílias estão acampadas na fazenda por causa do histórico de corrupção do ex-deputado e para cobrar o cumprimento do acordo que prevê a aquisição de terras para assentamentos na região firmado quando da desocupação da Fazenda Figueira, zona rural de Londrina. A localização da Fazenda Marília também agrada aos trabalhadores rurais, já que a área fica ao lado dos assentamentos Eli Vive I e II, onde mais de 480 famílias estão assentadas.
A viúva de Janene, Stael Fernanda Rodrigues de Lima Janene, afirmou que é proprietária da fazenda e prometeu entrar na Justiça pela reintegração de posse. De acordo com ela, o local é produtivo e foi arrendado para plantio de soja. A FOLHA entrou em contato com a Justiça Federal do Paraná para confirmar se a fazenda está entre os bens bloqueados na investigação do mensalão e se atividades agrícolas podem ser realizadas na área. A assessoria de imprensa informou que se o bloqueio foi feito em decorrência do mensalão, a decisão do bloqueio de bens é do STF. "No máximo, veio uma carta de ordem para Londrina ou Curitiba cumprir o bloqueio", disse a nota.


