Incra condena invasões anuncidas pelo MST
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 13 (AE) - O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Francisco Orlando Muniz, condenou hoje à noite a decisão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de ocupar diversas fazendas no Pará, além de prédios do órgão. "Não posso concordar com isso. Não é uma atitude democrática", disse.
Muniz anunciou que o Pará deverá ser contemplado com um percentual entre 10% e 12% de todo o orçamento do Incra previsto para 2000. O total de recursos destinados ao Estado pode chegar a R$ 140 milhões. O valor final, porém, só será anunciado dentro de dez dias. Segundo Muniz, é incontestável o número de desapropriações de terras feitas pelo governo federal no sul do Pará nos últimos anos. Se juntar as superintendências de Belém e de Marabá, acrescenta, é o Estado onde mais foram implantados assentamentos.
A postura de ocupações do MST, raciocina o presidente do órgão, é uma maneira de a entidade marcar sua posição política, mas discorda da forma, que para ele não contribui para o avanço do processo de reforma agrária. "Para nós, a qualidade é mais importante que a quantidade de assentamentos". Há uma pressão pela desapropriação, revelou, mas quando o Incra começa a selecionar percebe que muitas famílias sequer possuem perfil para serem assentadas de reforma agrária. O presidente do Incra pediu ao MST "um pouco de cautela".


