Incra cede à pressão da Farsul e fará vistorias apenas em fazendas à venda
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segunda-feira, 06 de dezembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 06 (AE) - O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cedeu à pressão da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e fará vistorias apenas de fazendas que estiverem à venda.
A decisão vale para todo o Estado até o fim do ano e até lá os ruralistas gaúchos negociarão com os ministérios da Política Fundiária e da Agricultura a revisão dos índices de lotação pecuária recém-estabelecidos pelo governo federal, que definem como improdutivas as fazendas com até 0,8 unidade animal por hectare.
A opção pelas vistorias consentidas foi anunciada depois de mais de cinco horas entre o superintendente interino do Incra no Estado, Eduardo Freire, o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, e mais sete dirigentes da entidade e de sindicatos rurais de Bagé e São Gabriel. "Estamos evoluindo para vistorias sem enfrentamento", disse Freire.
Amanhã, no final da tarde, haverá um novo encontro na sede da federação para acertar os detalhes operacionais da decisão, informou Sperotto.
Na opinião do superintendente do Incra, a medida não vai limitar o programa de reforma agrária no Rio Grande do Sul a poucas regiões.
"Acreditamos que haverá oferta generalizada no Estado." Segundo o presidente da Farsul existe uma disponibilidade "muito grande" de áreas cujos proprietários têm interesse em vendê-las.
Conforme Freire, o pagamento pelas áreas selecionadas será feito "dentro da lei". Ou seja, a terra será paga em Títulos da Dívida Agrária (TDA) e as benfeitorias em dinheiro.
O superintendente não receia que o acordo negociado no Rio Grande do Sul a partir da resistência dos proprietários da região de Bagé às vistorias do Incra abra um precedente para outros Estados. "O importante é que obtenhamos áreas sem enfrentamento."
No final da reunião, às 22h45min, o presidente da Farsul disse ainda que recebeu informações de que sua fazenda - Tapera - em Santo Augusto estaria prestes a ser invadida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A ação seria uma represália ao acordo firmado com o Incra. "As autoridades responsáveis pela segurança no Estado devem tomar uma providência", reivindicou.
Participaram da reunião o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, o presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Farsul, Fernando Adauto Loureiro de Souza, o presidente da Comissão Fundiária, Gedeão Pereira, o assessor jurídico, Nestor Hein e o diretor-secretário Hermes Ribeiro de Souza Filho. Participaram ainda o presidente do Sindicato Rural de Bagé, Roberto Zago e o vice, Luis Olavo Salles, e o presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, Geraldo Pereira de Souza.


