Curitiba - O Instituto de Colonização e Reforma Agrária no Paraná (Incra-PR) anunciou, ontem, que os donos da Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros ao leste de Cascavel) concordaram em vender 25 mil hectares da propriedade de um total de 53 mil hectares para a reforma agrária. A área seria suficiente para assentar, pelo menos, mil famílias de sem-terra. A vistoria da propriedade pelo Incra-PR deve ser iniciada na próxima segunda-feira.
A assessoria de imprensa do Incra-PR informou que o superintendente do órgão, Celso Lisboa de Lacerda, estava ontem em Brasília, negociando recursos para a aquisição da área. No entanto, o valor e o tamanho da área a ser adquirida pelo Incra-PR será definido depois da vistoria.
A compra de parte da Fazenda Araupel vinha sendo negociada há cerca de um mês pela Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desde o dia 12 de julho, mais de 1,5 mil famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão acampadas na propriedade.
Segundo informações do Incra-PR, o assentamento na área Araupel será feito ainda este ano. A empresa permaneceria com a área de reflorestamento e as indústrias de madeira e papel. A Folha tentou ouvir o diretor da Araupel, em Porto Alegre, Luiz Roberto Ceron, para confirmar a informação, mas sua secretária disse que ele estava em reunião e não poderia atender a reportagem.
Na primeira tentativa de negociação, o Conselho de Administração da Araupel distribuiu nota, alegando que a empresa já havia dado sua contribuição à reforma agrária, consentindo a desapropriação de quatro áreas com mais de 28 mil hectares, onde estão assentadas em torno de 2 mil famílias, e que, portanto, não venderia mais nem um hectare de terra. Concordari somente em ceder uma área de 2,3 mil hectares para um assentamento provisório.

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