A superintendência paranaense do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai destinar 10 mil hectares de áreas em várias regiões do Paraná, para assentar 1,2 mil famílias de sem-terra. O anúncio feito na reunião de ontem com o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, não agradou aos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Segundo Roberto Baggio, um dos membros da coordenação estadual do MST, esse total de áreas não atende a demanda de famílias que estão em acampamentos ou foram despejadas, que totalizaria aproximadamente 5 mil.

Para Baggio, ''o grande desafio do Incra para o próximo ano será constituir um estoque maior de terras para atender essa demanda reprimida, intensificando os programas de vistoria e desapropriação de áreas que não cumprem com função social''.

No último encontro do ano, ficou acertado também que, por enquanto, as famílias que estão ocupando as fazendas Laranjeiras, em Rio Bonito do Iguaçu; Araupel, em Quedas do Iguaçu; e Cajati, em Cascavel, não serão remanejadas. Houve um entendimento entre a superintendência do Incra e o MST para reiniciar as negociações a partir do ano que vem com os donos das propriedades para que os sem-terra permaneçam nessas áreas.

O ouvidor agrário e o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, ficaram de interceder junto à Justiça de Loanda para tentar revogar a prisão preventiva de 12 trabalhadores sem-terra. Eles são acusados de terem sequestrado um outro integrante do movimento em Querência do Norte.


Dívidas O governo federal vai renegociar as dívidas dos agricultores familiares, que chegam a R$ 2,69 bilhões, segundo informou ontem o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. E também estender prazos, reduzir juros e oferecer descontos.
O prazo de liquidação das dívidas com o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera), de R$ 1,08 bilhão, foi estendido para até 15 anos, com juros de 1,15% ao ano. Atualmente, os juros desta linha de crédito é de 6,50% ao ano com prazo de 10 anos e três de carência. A primeira parcela deve ser paga em 2 de julho de 2003. Para quem está em dia com o pagamento, o ministério vai dar desconto de 70% sobre o saldo devedor.

O governo estendeu prazos e diminuiu as taxas de juros na tentativa de ajudar os pequenos agricultores a quitarem o crédito rural. (Com Agência Estado)

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