Incontinência urinária atinge homens e mulheres
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domingo, 01 de março de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Um dia acontece de durante uma risada mais forte, um espirro ou uma tosse, vir junto uma 'escapada' de urina. Ou a 'escapada' acontece diante daquele desejo tão incontrolável que não se consegue chegar ao banheiro a tempo. Mas aí acontece de novo, e outra vez, e o transtorno passa a ser constante. O constrangimento é difícil de evitar, mas a incontinência urinária é problema que pode e deve ser tratado.
Segundo a fisioterapeuta Edine Kitahara, de Londrina, especialista em fisioterapia uroginecológica, o problema é mais comum em mulheres, mas os homens, que às vezes, sem informação, ficam sem tratamento adequado, também podem ser atingidos.
Neles, a maioria dos casos acontece a partir dos 45 anos, após cirurgia de retirada de próstata, nem sempre por um caso de tumor, mas também por conta do órgão aumentado. ''Pesquisas mostram que quando a cirurgia não é tão agressiva, de 0,4% a 3,3% dos homens apresentam perda de urina. Na prostatectomia radical, os casos de perda variam de 2,5% a 87% dos pacientes'', ressalta.
Como a próstata é uma glândula localizada logo abaixo da bexiga e por onde passa a uretra, é preciso religar uretra e bexiga quando se retira a próstata. A repercussão da cirurgia na estrutura muscular dessa região pode variar bastante, segundo ela, porque há outros fatores envolvidos, como idade e peso do paciente, condições antes da cirurgia e extensão e localização do tumor. ''Quando o paciente retira a sonda é que veremos a resposta pós-cirúrgica'', explica.
Mal de Alzheimer, Parkinson e diabetes são outras doenças que afetam o trato urinário e podem ser causa de incontinência. Nos mais jovens, a causa pode estar em traumas que atingem a parte neurológica.
Nas mulheres, a incontinência, segundo a fisioteapeuta Adriana Fontana Carvalho, professora da Unopar, também está ligada à fraqueza muscular, que nelas tem origem em complicações no parto, mudanças hormonais durante o climatério, alterações ginecológicas como mioma, e traumas de outras cirurgias. ''Se a musculatura está fraca, a bexiga desloca para baixo e aí o funcionamento já não é mais normal. É comum falar que 'caiu a bexiga' depois da gravidez e, às vezes, cai mesmo'', explica Adriana, lembrando que há casos em que é necessário cirurgia para reposicionar o órgão.
A incontinência urinária pode ser de três tipos - de esforço, de urgência e mista. O primeiro, por conta de alteração da estrutura muscular chamada esfíncter, se caracteriza pela perda de urina quando há algum esforço, seja levantar, abaixar, subir escada, espirrar. O segundo se caracteriza por um desejo súbito de urinar tão urgente que a pessoa acaba perdendo xixi. O tipo misto é uma combinação dos dois. E, nos homens, ainda ainda há o gotejamento miccional, por conta de resíduo de urina que fica no canal uretral.
O grande problema, avalia Edina, é a queda na qualidade de vida, pois as pessoas passam a não fazer atividades como viajar, jogar futebol, pescar e frequentar festas, com medo de perder urina.


