Rio, 31 (AE) - Inconformado com a separação, o camelô Domingos Amorim Soares, de 40 anos, matou sua ex-mulher e mais seis pessoas - cinco parentes dela e um vizinho - e feriu uma menina de dez anos, ontem à noite, em São Gonçalo, no Grande Rio. Depois de cometer o crime, Soares tentou o suicídio. Segundo contou à policia, ele queria reconciliar-se com a doméstica Marilene Fernandes Soares, de 34 anos, de quem estava separado havia sete meses, mas ela se recusava.
O ambulante chegou na casa da ex-mulher - o terreno é ocupado por outras duas casas da família -, às 23h30 de domingo. Ela havia acabado de voltar de um culto da Igreja Evangélica Assembléia de Deus com as irmãs e cunhados. Soares disse que havia visitado uma irmã no hospital e pediu para usar o banheiro. Quando Marilene abriu a porta, o camelô passou a descarregar o revólver Taurus calibre 38. Além da ex-mulher, ele alvejou a irmã dela, Tânia Regina Fernandes Soares, que estava no sofá, e seu marido, Luiz Ederardo Alves Martins, ambos de 41 anos. O filho de Marilene, Cristiano, de 13 anos, conseguiu se esconder e a filha mais velha, Cristina, também escapou da tragédia porque estava na casa do namorado.
Vizinhos - Soares recarregou a arma e caminhou até a casa 3, onde viviam a irmã de Marilene, Marina Fernandes Soares, de 38 anos, o marido Edilson Ferreira de Lima, e os filhos Fernando, de 17, e Bárbara de dez. No caminho, o camelô encontrou o irmão de Edilson, José, de 36 anos, e o matou. Na casa 3, Soares atirou em Marina. Bárbara correu em direção à mãe, para tentar socorrê-la e foi atingida de raspão na cabeça.
"Quando viu a mãe morta, ela olhou para o assassino e pediu para morrer também", contou uma vizinha da família. O estudante Bruno, de 15 anos, - filho de Tânia e Martins - escondeu-se no banheiro com o tio, Edilson. Ambos se salvaram. O camelô decidiu poupar ainda a vida de Fernando. "Ele olhou para mim e disse: não é você quem eu quero", contou o adolescente.
O camelô voltou, então, até a casa 2, e assassinou a ex-sogra Tereza Fernandes, de 63 anos, que estava sozinha. O vizinho João Batista de Souza, de 22 anos, ouviu os tiros e correu para ajudar. Ele foi assassinado por Soares na Rua Antônio Bernardo Ribeiro. Segundo familiares, o camelô teria seguido para a casa de outra irmã de Marilene, Mariléia Fernandes Soares, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense - a 1h30 de distância de São Gonçalo. Ele teria disparado dois tiros contra Mariléia, que escapou. Ao chegar em casa, no bairro de Miguel Couto, também em Nova Iguaçu, o camelô deu um tiro na cabeça. Ele foi operado no Hospital da Posse e seu estado é grave. Reconcialiação - Soares e Marilene estavam separados e ele vinha tentando a reconciliação. A um genro de Tânia, o camelô disse que visitaria a ex-mulher a fim de levá-la para ver a única filha do casal, Priscila, de dez anos, que vivia com ele e estaria machucada na perna. "Eu não acreditei; pensei que ele fosse brigar com ela", afirmou Robson Fontes.
O delegado José Tarcísio de la Torre, titular da 75.ª Delegacia de Polícia (Rio do Ouro), considerou o crime "atípico". Ele deu voz de prisão ao camelô no hospital. Soares está sendo vigiado por seis policiais. Parentes contaram ao delegado que o camelô "parecia um homem normal".

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