Agência Estado
Inconformado com a separação, o camelô Domingos Amorim Soares, de 40 anos, matou sua ex-mulher e mais seis pessoas – cinco parentes dela e um vizinho – e feriu uma menina de dez anos, anteontem à noite, em São Gonçalo, no Grande Rio. Depois de cometer o crime, Soares tentou o suicídio. Segundo contou à polícia, ele queria reconciliar-se com a doméstica Marilene Fernandes Soares, de 34 anos, de quem estava separado havia sete meses, mas ela se recusava.
O ambulante chegou na casa da ex-mulher – o terreno é ocupado por outras duas casas da família –, às 23h30 de domingo. Ela havia acabado de voltar de um culto da Igreja Evangélica Assembléia de Deus com as irmãs e cunhados. Soares disse que havia visitado uma irmã no hospital e pediu para usar o banheiro. Quando Marilene abriu a porta, o camelô passou a descarregar o revólver Taurus calibre 38.
Além da ex-mulher, ele alvejou a irmã dela, Tânia Regina Fernandes Soares, que estava no sofá, e seu marido, Luiz Ederardo Alves Martins, ambos de 41 anos. O filho de Marilene, Cristiano, de 13 anos, conseguiu se esconder e a filha mais velha, Cristina, também escapou da tragédia porque estava na casa do namorado.
Soares recarregou a arma e caminhou até a casa 3 onde viviam a irmã de Marilene, Marina Fernandes Soares, de 38 anos, o marido Edilson Ferreira de Lima, e os filhos Fernando, de 17, e Bárbara de 10. No caminho, o camelô encontrou o irmão de Edilson, José, de 36 anos, e o matou. Na casa ele atirou em Marina.
O camelô voltou, então, até a casa 2, e assassinou a ex-sogra Tereza Fernandes, de 63 anos, que estava sozinha. O vizinho João Batista de Souza, de 22 anos, ouviu os tiros e correu para ajudar. Ele foi assassinado por Soares. Segundo familiares, o camelô teria seguido para a casa de outra irmã de Marilene, Mariléia Fernandes Soares, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Ele teria disparado dois tiros contra Mariléia, que escapou.
Ao chegar em casa, no bairro de Miguel Couto, também em Nova Iguaçu, o camelô deu um tiro na cabeça. Ele foi operado no Hospital da Posse e seu estado é grave.
O delegado José Tarcísio de la Torre, titular da Delegacia de Polícia de Rio do Ouro, considerou o crime ‘‘atípico’’. Ele deu voz de prisão ao camelô no hospital. Soares está sendo vigiado por seis policiais. Parentes contaram ao delegado que o camelô ‘‘parecia um homem normal’’.

mockup