'Inclusão não é decreto'
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segunda-feira, 08 de março de 2010
Bruno Maffi<br>Especial para a FOLHA 
Londrina - A inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino regular volta a entrar em pauta com a decisão paranaense de prorrogar por três anos o convênio com 384 mantenedoras de escolas de educação especial e dez escolas municipais em todo o Estado, contrariando orientação do Ministério da Educação (MEC). A metodologia de inclusão, em que os alunos deveriam ser integrados no ensino regular, é alvo de críticas de pais e especialistas na área.
''Inclusão não é um decreto que se define em um gabinete e se é imposto, mas um processo de mudanças de mentalidades'', explica a consultora em Educação Especial no Paraná, Rozita Edler, que na semana passada fez palestra sobre o assunto em Londrina. ''Precisamos entender que escola não é espaço de socialização, nem clínica, nem restaurante. É o espaço para aprender e participar'', afirma a consultora, que há 56 anos trabalha na área.
Segundo Rozita, o perigo está em reduzir o processo de inclusão à ocupação de um mesmo espaço físico. ''Alguns professores fazem grupinhos dentro da sala para aplicar as atividades, separando os alunos com necessidades especiais. Isso é perversidade.''
''Os alunos com necessidades especiais não precisam de nossa caridade, mas de que seus direitos sejam respeitados. Precisamos de escolas adequadas e levar em conta que seu papel é pedagógico. A reabilitação e os espaços físicos devem ser providenciados por outras secretarias'', conclui Rozita.
Ontem à tarde, em Curitiba, além de anunciar a renovação dos convênios com as filantrópicas, foi anunciado o envio de projeto de lei à Assembleia tornando a parceria permanente.
Para a responsável pelo Departamento de Inclusão na Sesa, Angelina Matiskey, a decisão pode criar um clima tenso com o MEC, mas que aos poucos outros estados devem seguir o exemplo paranaense.
Opiniões divergentes
A pedagoga Marlizete Bonafini Steinle defende a inclusão dos alunos com necessidades especiais no ensino regular, mas aos poucos. ''Há alunos que possuem condições de estarem no ensino regular, mas outros não, porque as escolas não estão adequadas. Ainda são necessários outros espaços, mas isso deve ser superado.''
Marlizete tem uma irmã com Síndrome de Down com 45 anos. Uma de suas preocupações é a desativação das instituições especializadas. ''Ela não é alfabetizada. Se houvesse a superação das instituições especiais hoje, para onde iria?''
Para a pedagoga Izabel Sales, que trabalha em um colégio na Zona Norte de Londrina, a inclusão dos alunos com necessidades especiais no ensino regular é uma experiência positiva.
Membro da equipe do Centro de Atendimento Especializado em Deficiência Visual (CAE-DV), de Londrina, a pedagoga Carolina Guerreiro Leme acredita que a inclusão não é uma realidade pela falta de empenho dos professores. ''A fala sempre é a mesma, que o Governo impõe algo impossível, que não estão preparados, que falta estrutura. Mas nunca teremos um aluno surdo ou cego, com condições de participar do ensino regular, se os professores não romperem com seus medos.''


