Curitiba- O Brasil é um dos países mais avançados na área de odontologia, mas as dificuldades de acesso pela população carente aos tratamentos clínicos de ponta ainda deixam o país longe da condição ideal em termos de saúde bucal. Essa é uma das discussões do IX Congresso Internacional de Odontologia do Paraná (Ciopar) aberto, ontem, em Curitiba, que tem como tema central ''Desafio da Odontologia: Excelência Clínica e Inclusão Social''.
''O grande desafio é esse: levar o que se tem de melhor para a população que realmente precisa'', destacou o coordenador nacional do programa Brasil Sorridente, Giberto Alfredo Pucca. Ele lembrou que é a primeira vez que o país implanta uma política para a área de saúde bucal e descreve, em números, os resultados obtidos até agora.
Segundo Pucca, o último levantamento do governo federal, em 2004, apontou que a cada quatro brasileiros, três chegavam aos 60 anos sem nenhum dente na boca; 28 milhões não haviam tido uma única consulta com um dentista; e menos de 20 milhões tinham acesso a serviços odontológicos na rede pública. Hoje, são cerca de 70 milhões de pessoas assistidas pelas 16 mil equipes de saúde bucal, que atuam dentro do programa Saúde da Família.
O coordenador explicou que, nessa frente, são trabalhados a parte básica de prevenção e tratamentos mais simples. Quando há necessidade de intervenções mais complexas, as pessoas são encaminhadas para os Centros Especializados em Odontogia (CEO's). São 530 unidades no Brasil, sendo que 35 delas estão no Paraná. Pucca acredita que essas ações já representaram avanço importante, mas admite que é preciso ampliar ainda mais o acesso.
O coordenador do Brasil Sorridente no Paraná, Christian Mendez Alcântara, lembrou que o Estado dispõe de 950 equipes de saúde bucal, atendendo mais de 3,2 milhões de pessoas. ''Em 2003, um milhão de paranaenses, ou 10% da população, nunca tinha ido ao dentista'', reforçou. Ele adiantou que já há recursos disponíveis para implantação de outros oito CEOs, que deverão entrar em funcionamento até o final do ano.
O presidente da Associação Brasileira de Odontologia - Seção Paraná (ABO-PR), Osíris Pontoni Klamas, reforçou a necessidade de o governo federal investir mais na política de saúde bucal e se dedicar ao trabalho preventivo. ''As pessoas, por falta de informação, não procuram o dentista enquanto não têm dor. O quanto antes for diagnosticado o problema, mais barato o tratamento'', afirmou. A ABO, segundo ele, oferece cursos de atualização aos profissionais que, em contrapartida, prestam atendimento gratuito à população carente. Em 2006, foram assistidas cerca de 6 mil pessoas.

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