Inclusão do usado é impasse no estudo da renovação da frota
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sexta-feira, 27 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 30 (AE) - A prevalecer o atual ritmo dos trabalhos dos técnicos, o programa de renovação da frota será lançado ainda este ano. O ponto de maior divergência é a possibilidade de o proprietário de um carro velho poder trocá-lo por outro usado ou somente por um zero-quilômetro. Um grupo de concessionários visitou quatro países e preparou um estudo completo das experiências de renovação da frota no mundo. O trabalho, obtido com exclusividade pela Agência Estado mostra o que França, Espanha, Itália e Argentina fizeram para mandar para o ferro velho 2,6 milhões de veículos.
A resistência da troca do carro que vai sair das ruas por outro usado vem da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que preparou o trabalho sobre outros países. Foi justamente a experiência na Argentina - o único país que permite a troca do sucateado por outro usado - que deixa os dirigentes da Fenabrave preocupados. Eles temem que isso crie um mercado paralelo de bônus.
"A experiência argentina com usados criou um mercado negro de bônus", explica o coordenador do grupo da área estratégica da Fenabrave, Sérgio Reze Júnior, que comandou o trabalho sobre as experiências no exterior. A Fenabrave está disposta a defender que a troca do carro com mais de 15 anos só possa ser feita por outro zero-quilômetro. O desafio é encontrar uma maneira para que alguém que recebeu um bônus de R$ 1,8 mil - valor previsto no programa de renovação da frota brasileira - compre um carro zero, que custa, no mínimo, R$ 12 mil.
Reze Júnior defende a criação de financiamento especial para estes consumidores, com prazos mais longos e taxas bem mais baixas do que o que existe hoje no mercado. Mesmo no Primeiro Mundo, os programas de substituição de carros foram feitos com linhas de crédito diferenciadas.
"Se o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pode emprestar dinheiro para uma fábrica da Ford, que conquistou o segundo maior lucro do mundo, nada mais justo do que se pensar numa linha de crédito para o consumidor deste programa", destaca o dirigente. Numa realidade totalmente diferente da brasileira, na Europa, os carros sucateados eram quase todos o segundo ou terceiro automóvel da família.


