Implantadas em 2005, as cotas da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entram em seu décimo ano de existência com uma média de 6,8% de negros no total de alunos aprovados pelo sistema. Muitos negros, no entanto, não precisaram da reserva de vagas para entrar na universidade, uma vez que conseguiram desempenho suficiente para obter aprovação pelo sistema universal.
A forma de destinação das vagas, que passou de proporcional ao número de inscritos a uma quantidade fixa, também contribuiu para a redução do número de estudantes enquadrados nos critérios do sistema aprovados no vestibular. Atualmente, 40% das vagas de cada curso são destinadas a alunos de escolas públicas e metade delas, a negros. A UEL foi a quarta instituição do Brasil a implantar o sistema de cotas.
Um levantamento mostra que, em 2005, enquanto alunos do primeiro ano do sistema universal obtiveram nota média de 8,3; negros obtiveram 8,1 no curso de Medicina.
Para o professor do Departamento de História, Jairo Pacheco, que foi pró-reitor de Graduação entre 2003 e 2006 e um dos principais responsáveis pela implantação das cotas na UEL, o sistema mostrou-se eficiente, mas, agora, o grande desafio é fazer que ele continue funcionando. "Ainda que mais negros tenham entrado na universidade nos últimos dez anos, esse número é baixo; precisamos aumentar o número de negros tentando uma vaga", resume.
Para ele, seria preciso, portanto, um olhar sobre o gargalo que separa o ensino médio do superior. "Tem de haver um trabalho de motivação maciço aos adolescentes para que eles saibam que são capazes de cursar uma universidade pública. Porém, mais importante ainda é melhorar as condições desse aluno em chegar a disputar uma vaga e obter nota mínima. Senão, o subaproveitamento de vagas vai continuar", analisa Pacheco.

As cotas raciais surgiram nos Estados Unidos, na década de 1960, e são consideradas uma forma de ação afirmativa para reparar desigualdades sociais

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