Incidentes na farra do boi catarinense
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de abril de 1999
Por Elaine Borges 
Florianópolis, 04 (AE) - Apesar de proibida pela justiça federal a farra do boi foi realizada em vários munícipios do litoral de Santa Catarina durante o feriadão da semana santa. De acordo com dados da Policia Militar, até hoje haviam sido registradas 81 ocorrências. No sábado (03) à noite, no bairro Córrego Grande, em Florianópolis, um boi solto pelas ruas foi atropelado por um carro, teve as duas patas quebradas e foi sacrificado. Duas meninas - de seis e um ano respectivamente, que estavam no carro, ficaram abaladas e precisaram ser medicadas.
Em Governador Celso Ramos - um dos redutos onde a tradição açoriano é praticada com mais intensidade - o pescador João Feliciano de Oliveira levou uma chifrada quando corria na frente do boi e teve que ser hospitalizado. Houve ainda atritos entre defensores da manutenção da tradição e pessoas contrárias à brincadeira. No Canto da Lagoa, na Lagoa da Conceição, um boi entrou em um restaurante, onde almoçava a ex-presidente da Associação Catarinense de Proteção aos Animais Cristalma Papa. "Senti o animal passar bem próximo a mim", disse, indignada.
A Secretaria de Segurança de Santa Catarina decidiu se basear na lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que, em seu artigo 32, proíbe a prática de maus tratos a animais. Com base nessa lei, a Polícia Militar permitiu a realização da farra do boi em mangueirões, desde que o animal não fosse ferido. Somente na região norte de Florianópolis, os farristas "brincaram" com cerca de 100 bois (comprados a R$ 600,00 a R$ 800,00) em 25 mangueirões.
Entidades de todo o país contrárias à farra do boi pretendem reclamar na justiça nesta semana, em São Paulo, contra o governo de Santa Catarina por desobedecer o acórdão do STF de 3 de junho de 1997, que proíbe a farra do boi, dentro ou fora dos cercados. Segundo a representante no Brasil da Sociedade Mundial de Proteção aos Animais, Elizabeth Mac Gregor - que percorreu todo o litoral observando os farristas - as autoridades catarinenses "regulamentaram" a prática da farra do boi. "Isso é um verdadeiro absurdo", disse.


