Otávio Magalhães/Agência Estado
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PelejaO ex-policial militar Paulo Roberto Alvarenga recebe copo de água de seu advogado, Rodrigo Rocha, no segundo dia de seu julgamento no 2º Tribunal do Júri pelo envolvimento na chacina de Vigário GeralRIO - Um incidente no segundo dia de julgamento do ex-PM Paulo Roberto Alvarenga, um dos acusados de participação na Chacina de Vigário Geral, colocou em risco ontem o andamento do júri, que esteve a ponto de ser suspenso e anulado. Por volta das 5 horas da manhã, a jurada Norma Pessanha Teixeira, de 52 anos - que como os demais jurados dormia nas dependências do Tribunal de Justiça do Rio - foi acometida por uma crise de gastrite. Ela passou mal a manhã inteira, atrasando em quase três horas o reinício da sessão.
Segundo o relato de funcionários do Fórum, Norma Teixeira, uma funcionária pública que sofre de problemas de vesícula, acordou de madrugada gritando e se queixando de dores. Os próprios funcionários a socorreram. O juiz José Geraldo Antônio, do II Tribunal do Júri, que também pernoitou no Fórum, foi acordado e entrou em contato com a presidência do Tribunal de Justiça.
Cerca de meia-hora depois, dois paramédicos chegaram ao Fórum. Eles aplicaram uma injeção em Norma, que ficou numa cama e só se recuperou pouco depois das 11 horas. A sessão, que deveria ter recomeçado às 9 horas, teve seu reinício às 11h45. Caso Norma tivesse de ser hospitalizada, o Conselho de Sentença seria dissolvido e o juiz teria de suspender o julgamento, anular tudo o que havia sido feito até então e marcar uma data para a realização de novo júri.
Durante toda a tarde de ontem foram lidas as transcrições de gravações feitas na prisão por alguns policiais acusados de participação na chacina - as fitas revelaram os nomes de novos envolvidos no crime e inocentaram alguns PMs que estavam presos, provocando uma reviravolta no processo. Nas cinco fitas, o nome de Alvarenga é citado pelo menos quatro vezes como um dos integrantes do grupo armado que invadiu a favela de Vigário Geral na madrugada de 30 de agosto de 93 e matou 21 trabalhadores. A ação foi uma represália ao assassinato de quatro policiais, ocorrido na véspera no interior da favela.
A leitura da transcrição provocou certo constrangimento no público presente à sessão. As conversas entre os policiais na prisão, repletas de palavras de baixo calão, foram reproduzidas na íntegra por dois serventuários da Justiça - Jorge Mirres e Tânia Rodrigues -, que fizeram a leitura ao microfone. Num dos trechos da gravação, um policial xinga os promotores José Mui¤os Pi¤eiro Filho e Maurício Assayag.

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