São José dos Campos - Os motivos ainda estão sendo estudados pelos cientistas, mas neste verão a incidência de raios está menor no País. No Sudeste, onde a queda das descargas elétricas foi mais acentuada, a redução é de 20%. ''Praticamente houve queda em todas as regiões, mas o Sul do País foi a única onde a incidência das descargas elétricas aumentou'', disse o pesquisador Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul a quantidade do fenômeno aumentou 15%. ''Eram 1,8 milhão no ano passado e neste período já chega a 2,1 milhões''.
O período analisado são os meses de outubro, novembro e dezembro e os primeiros dez dias de janeiro. Especificamente no Sul o aumento está relacionado ao fenômeno El NiÀo, superaquecimento das águas do Oceano Pacífico. ''Fizemos uma análise da incidência de raios nos últimos sete anos e vimos que a redução, neste ano, não está relacionada ao El Nino, de fraca intensidade nem ao La Nina'', informou Pinto Jr.
As constantes chuvas provocadas pelo sistema chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul, que deixa a atmosfera com muita umidade, pode ser um dos fatores da redução de raios. ''Durante esse sistema a atmosfera esfria e pode influenciar''.
Apesar da queda, o Brasil ainda é o país campeão mundial em quantidade de descargas elétricas, tendo 60 milhões por ano. ''É um número muito alto. Não é por causa da redução que as pessoas devem se descuidar. Este é um período perigoso''.
Entre as orientações, estão não ficar em lugares descampados durante as tempestades, procurar abrigo em casas e prédios e evitar ficar debaixo de árvores. ''Desligar a TV e os eletrodomésticos da tomada também é bom, já que a antena do aparelho pode atrair um raio'', aconselha Pinto Jr.

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