São Paulo, 17 (AE) - Apesar do temor causado pelos primeiros casos autóctones de dengue no município de São Paulo, há menos casos de dengue neste ano do que no ano passado, e não só de dengue, os casos de malária cairam drasticamente, os de leptospirose baixaram mais de 70%, os casos de meningite meningocócica estão estáveis em relação ao ano passado e o Estado continua sem cólera, nenhum caso desde 1994.
O levantamento da situação das doenças que preocupam a Saúde Pública é do Centro de Vigilância Epidemiológica, cujo diretor, José Cássio de Moraes, está otimista. "A população não se recorda", diz ele, "mas vencemos a raiva, que há décadas não ocorre no município da Capital, eliminamos a poliomielite não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro, desde 1986", e mesmo a preocupação atual com a dengue na Capital não é tão grande como seria no Verão. "Agora o frio é o maior inimigo do mosquito, que não se reproduz bem com baixas temperaturas", e os casos autóctones tendem a desaparecer nos próximos meses, dando tempo para atacar os focos, antes que o tempo mais quente recomece.
Os números - Os dados da Secretaria da Saúde referentes aos quatro primeiros meses do ano passado em relação ao mesmo período deste ano indicam 363 casos de malária no ano passado, contra 56 este ano, e os médicos atribuem a melhoria ao combate ao vetor, os mosquitos anofelinos. "É um trabalho eficiente e localizado", explica Cássio de Moraes, porque os focos da doença são poucos e restritos ao extremo Oeste do Estado.
Quanto à leptospirose, foram 821 casos confirmados no ano passado, contra 231 este ano, uma redução que os próprios especialistas estranharam e que talvez esconda alguma sub-notificação. "Como não se falou muito em leptospirose este ano, os médicos não estão tão alertas para a doença e muitas vezes não pedem o exame, o que pode mascarar o número de casos"
diz o epidemiologista. Com ou sem subnotificação, entretanto, ele concorda que houve uma melhoria.
No caso da dengue, a melhora não é tão sensível. Foram 10.629 casos contra 8.824, contagem até 11 de maio, mas como o mosquito transmissor está muito espalhado no Estado, esta é a doença cujo controle dará mais trabalho.
Já no que se refere à meningite meningocócica, houve 195 casos nos quatro primeiros meses do ano passado, contra 194 este ano, apenas um caso a menos, e número semelhante de, 34 de janeiro a abril de 1998 e 39 no mesmo período deste ano.
"No caso da meningite, a situação é estável", dizem os epidemiologistas, mas mesmo assim é preciso agir depressa, porque há vários tipos de meningite, as virais, que por vezes provocam surtos em escolas e precisam ser atacadas rapidamente, as causadas por enterovirus e as meningocócicas, que tradicionalmente causam as grandes epidemias, a menos que se consiga bloquear o contágio.

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