Incidência de anemia
e gripe é preocupante
Um dos indícios mais comuns da falta de alguns nutrientes na alimentação das crianças, explica a nutricionista da prefeitura de Maringá, Maria Aparecida Ferrarini de Paula, é o alto índice de estudantes gripados ou com anemia em algumas regiões da cidade. ‘‘Normalmente, os pais ganham o suficiente apenas para garantir o básico, que não inclui alimentos ricos em cálcio, vitaminas e os nutrientes mínimos’’, diz. Muitas vezes, os estudantes de algumas escolas chegavam a desmaiar durante as primeiras aulas da manhã. Os professores constataram que antes de chegar à escola, a criança muitas vezes tomava apenas água com açúcar.
A situação ‘‘alarmante’’, lembra Maria Aparecida, foi contornada em algumas escolas, onde a secretaria passou a servir também o café da manhã. Ela diz que a municipalização da merenda melhorou as condições, regionalizando os cardápios. ‘‘Mas ainda falta melhorar a qualidade nutricional da merenda e não preparando o cardápio somente com os insumos disponíveis’’, alerta. Para mostrar a falta do mínimo necessário aos estudantes, ela faz uma comparação com outro setor público, a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM).
Na PEM, diz a nutricionista, os detentos recebem uma refeição de custo per capita entre R$ 0,58 a R$ 2,00. O cardápio da penitenciária leva em conta que a pessoa precisa 1.400 calorias diárias. ‘‘Como a merenda escolar é calculada em 350 calorias, o que representa um quarto da necessidade diária, o correto seria nós recebermos R$ 0,50, que é também um quarto do valor repassado para alimentar os presos’’, compara ela. O estudo chamou a atenção de técnicos do Ministério da Educação. (M.Z.)

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